Maioria dos búlgaros apoia patrulhas de "Caça imigrantes"

Vários nacionalistas búlgaros converteram-se em celebridades depois de deterem grupos de refugiados

Mais de metade dos búlgaros apoiam as patrulhas de nacionalistas - batizadas pelos meios de comunicação social como "Caça imigrantes" - que detêm migrantes ilegais que entram na Bulgária a partir da Turquia, segundo uma sondagem divulgada hoje.

A sondagem da Alpha Research, encomendada pela cadeia de televisão privada, Nova TV, aparece numa altura em que as ações destes grupos estão a provocar um debate no país, depois da detenção pela polícia búlgara e acusação pelo Ministério Público búlgaro de um nacionalista por levar a cabo esta prática.

Ascende a 29,4 por cento o número de inquiridos que apoiam as "prisões civis" praticadas por estes grupos, com o argumento de que protegem a pátria, enquanto outros 25,4% mostram-se tendencialmente a favor.

Quase todos os participantes na sondagem, nove em cada dez, temem que uma onda migratória se traduza nos crescimentos dos atos criminosos e numa ameaça de atentados, enquanto cerca de 75% acredita que os imigrantes constituem um risco para a saúde pública.

O Ministério Público da cidade de Burgas, sudeste do país, acusou na semana passada por detenção ilegal e furto um dos convertidos "caça-imigrantes", que enfrenta uma pena de prisão até seis anos, se vier a ser condenado.

O acusado, Petar Nizamov, de 31 anos, está na origem de uma polémica no país por ter difundido no início de abril um vídeo em que aparece vestido com fardas militares com outros nacionalistas, numa ação em que o grupo detém e ameaça três afegãos que acabam de atravessar ilegalmente a fronteira entre a Bulgária e a Turquia.

Antes deste incidente, outro nacionalista, Dinko Valev, deteve um grupo de refugiados sírios e converteu-se numa celebridade nacional, o que impulsionou outros a imitarem a ação.

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