Maior jornal da oposição na Hungria suspende circulação

Grupo Mediaworks afiança que suspensão se deve a problemas económicos. Redação contesta

A publicação do mais importante jornal da oposição húngaro foi suspensa, anunciou hoje o grupo proprietário do diário, com jornalistas a deixarem preocupações relativamente à liberdade de imprensa durante a governação de Viktor Órban.

O grupo Mediaworks declarou, em comunicado, que a suspensão foi ditada por razões económicas e durará até à reformulação do projeto e criação de um novo conceito, um argumento que é contestado por elementos da redação.

A oposição socialista qualificou a suspensão de circulação do jornal Nepszabadsag como "um dia negro para a imprensa", apelando a uma manifestação hoje à tarde junto à sede do jornal.

Nepszabadsag é o jornal com maior tiragem da imprensa húngara e tem sido um crítico do primeiro-ministro Viktor Órban e da sua política anti-imigração.

Um responsável da redação do jornal disse à agência France Presse que os jornalistas tinham sido impedidos de entrar na redação e que receberam cartas informando-os da suspensão do diário.

"Estamos em estado de choque, é um golpe. Claro que vão afirmar que é uma decisão económica, mas isso não é verdade", acrescentou o mesmo jornalista, que solicitou à France Presse o anonimato.

Para o representante da redação, trata-se de um "grande golpe para o jornalismo de investigação e para a liberdade de imprensa", justificando que o Nepszabadsag representa a imprensa de qualidade na Hungria e que tenta defender os direitos fundamentais da democracia, tolerância e liberdade de expressão.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.