Maduro quer militares prontos para ataque dos EUA a "solo sagrado" da Venezuela

Também este sábado, o presidente interino Juan Guaidó organiza uma marcha para pedir apoio dos militares.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu este sábado para que as forças armadas estejam "prontas" caso os EUA decidam lançar uma ofensiva militar em solo venezuelano. Maduro fez o pedido durante um discurso aos membros do Exército. No mesmo dia, o presidente interino Juan Guaidó organiza uma manifestação que vai passar pelos principais quartéis militares para pedir o apoio dos soldados para o governo de transição.

Segundo a AFP, Maduro fez o pedido durante um discurso dirigido a milhares de soldados, instando os militares a "estarem prontos para defender a pátria com armas na mão se um dia o império norte-americano ousar tocar esta terra, este solo sagrado ".

Já Guaidó, reconhecido por mais de cinquenta países, convocou uma marcha em Caracas para exigir que as forças armadas deixem de apoiar Maduro, depois da tentativa de derrube do presidente na passada terça-feira.

De acordo com o jornal venezuelano El Universal, os manifestantes tentaram entregar uma proclamação onde convidavam os militares a apoiar um governo de transição liderado por Guaidó. A mobilização convocada tem como objetivo visitar os comandos das forças armadas.

A oposição sublinhou o caráter pacífico das manifestações, depois dos motins de terça e quarta-feira terem causado amorte de cinco manifestantes, três dos quais menores, e 239 feridos, segundo informações das Nações Unidas.

"Eles (o governo) vão tentar provocar violência para tentar mostrar controlo e gerar medo", disse esta sexta-feira Guaidó, citado pela AFP.

A iniciativa da passada terça-feira constituiu o arranque da denominada "Operação Liberdade" que, segundo Guaidó, visa pôr termo ao que chama de "usurpação" da presidência por Nicolás Maduro.

A presidência interina de Guaidó é reconhecida por cerca de 50 países, incluindo os Estados Unidos, enquanto Maduro, que tem o apoio da Rússia, além de Cuba, Irão, Turquia e alguns outros países, considerou que a "Operação Liberdade" configura uma tentativa de golpe de Estado.

Até agora, não houve progressos na situação, aparentemente dominada pelo regime.

Nicolás Maduro, que tem sido alvo de forte contestação nas ruas, mas que aparentemente mantém o controlo das instituições, continua a ver as chefias militares a confirmarem-lhe a lealdade, mantendo a situação do país num impasse.

A resposta de Maduro para o apelo de Guaidó de marchas pacíficas hoje foi a convocação de uma "grande jornada de mudança, de retificação, de renovação revolucionária", com o propósito de "saber o que há que mudar, para melhorar" a revolução bolivariana.

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