Maduro: entre os velhos inimigos gringos' e o novo adversário Macri

A uma semana das eleições que podem ditar a perda da maioria chavista na Assembleia Nacional, presidente responde às críticas internacionais

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não esquece os velhos inimigos do norte e exigiu ao governo gringo (norte-americano) que reconheça e respeite os resultados das eleições parlamentares de 6 de dezembro, onde, acredita, sairá vitorioso apesar das sondagens apontarem para uma derrota. Mas as suas atenções estão também viradas para sul e para o novo adversário: Maurício Macri. Maduro acusou o futuro presidente argentino de "ingerência" no escrutínio venezuelano e deixou-lhe um aviso: "o povo argentino está pronto para lutar".

Quase 20 milhões de venezuelanos renovam no próximo domingo os deputados da Assembleia Nacional e, pela primeira vez em 16 anos, os chavistas podem perder a maioria. A Mesa de Unidade Democrática (MUD), aliança que agrega a maioria dos partidos de oposição, denunciou a violência na campanha eleitoral, depois da morte a tiro de um do dirigente opositor regional, tendo apontado o dedo aos apoiantes do falecido presidente Hugo Chávez e do seu sucessor.

Maduro disse, contudo, que o crime teve origem numa disputa de gangues, acusando a oposição de estar a explorar o caso para desacreditar o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Mas a comunidade internacional já se tinha pronunciado, com as Nações Unidas a exortarem Caracas a garantir melhor a segurança dos opositores políticos e até o aliado Brasil a pedir ação ao governo venezuelano para "travar qualquer ato de violência e intimidação que possa questionar a credibilidade do processo eleitoral e a legitimidade dos resultados da votação".

Resposta de Maduro

Num comício em Maracaíbo, no sábado à noite, depois de dizer que os EUA são um "império assassino de crianças e povos", Maduro disse que Washington "deve deixar de fazer lobby para pressionar os presidentes e primeiros-ministros do mundo para que se pronunciem contra a Venezuela". Mas as principais críticas foram para o futuro presidente argentino, cuja eleição pôs fim a 12 anos de kirchnerismo - e Cristina Kirchner era uma das principais aliadas de Maduro.

Durante a campanha, Maurício Macri avisou que se fosse eleito iria pedir ao Mercosul a aplicação da cláusula democrática em relação à Venezuela. Após a eleição, reiterou que vai avançar com esse plano (que pode resultar na suspensão do país do Mercado Comum do Sul) já na cimeira de dia 21.

"Há poucos dias mataram um dirigente da oposição. O que acontece na Venezuela rompe com o espírito democrático referente aos direitos humanos, ao respeito dos opositores, à intervenção das forças armadas no governo. É o dever da Argentina dizê-lo", disse ontem o chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña, em entrevista aos jornais Perfil, La Nación e Clarín.

Maduro respondeu às declarações argentinas com uma espécie de apelo ao levantamento popular - "O povo argentino está pronto para lutar" -, lembrando que Macri ganhou por "micro milímetros". O futuro residente na Casa Rosada, que toma posse a 10 de dezembro, derrotou na segunda volta o candidato apoiado por Kirchner, Daniel Scioli, por menos de três pontos percentuais.

O Brasil, que também faz parte do Mercosul, não deverá contudo rever a sua posição sobre o governo de Caracas e a presidente Dilma Rousseff deverá travar o uso da cláusula democrática - é preciso uma decisão unânime para que haja suspensão Mas tudo depende da forma como decorrerem as eleições parlamentares de dia 6.

"Golpe de Estado técnico"

O secretário executivo da MUD alertou ontem para o risco de "golpe de Estado técnico" após as eleições. "Não poderá falsificar os resultados e tentar negá-los seria tecnicamente um golpe de Estado. E até para fazer um golpe de Estado é preciso capital político e isso Maduro já não tem", afirmou Jesús Torrealba. Confiante na vitória no domingo, explicou que o objetivo da oposição não será substituir "um sectarismo por outro", mas para "reconciliar o país e uni-lo".

Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, deixou ontem um apelo ao voto. "Peço que votem porque se a oposição ganhar as eleições parlamentares vai tirar-vos as pensões. Garanto-o", disse num encontro com apoiantes no estado de Monagas, dizendo que os candidatos do PSUV estão nas ruas "para defender os direitos do povo à educação, saúde, habitação e serviços.

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