Maduro apela à recuperação do parlamento da Venezuela "para o povo"

Presidente venezuelano diz que a oposição não tem permitido o diálogo e que a sua presença no parlamento tem sido negativa

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apelou hoje à recuperação "para o povo" da Assembleia Nacional, onde a oposição ao Governo tem maioria desde janeiro. "Há que preparar-se para recuperar a Assembleia Nacional, de forma constitucional, para o povo, para a pátria", disse.

Nicolás Maduro falava durante a sessão de instalação do "Congresso da Pátria", organizado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), e considerou que os últimos seis meses foram negativos, por a oposição ter passado a ter maioria no parlamento. "Tem sido uma burla, um fracasso e um atraso para o país", frisou.

O Chefe de Estado afirmou que durante os 15 anos em que as forças políticas que apoiam o Governo estiveram em maioria na assembleia "nunca se atentou contra os direitos do povo nem se entregou a soberania do país", considerando que a oposição tem aprovado "leis inconstitucionais".

"Algum dia lhes chegará a justiça (...) por traição à pátria", frisou.

Por outro lado, insistiu em que por diversas vezes tem pedido ao presidente do parlamento, o opositor Henry Ramos Allup, para dialogar, para solucionar a crise no país, mas sem sucesso.

"A oposição nega-se a sentar-se a dialogar. A oposição deve ratificar imediatamente, sair dessa armadilha em que se meteram e sentar-se a dialogar, sem condições. Eu estou pronto para continuar. Sou um homem de diálogo", disse.

O Presidente venezuelano pediu aos deputados do "bloco da pátria" (afetos ao regime) que intensifiquem o "parlamentarismo de rua", criando núcleos de diálogo com o povo e com todos os setores sociais e políticos.

Segundo Nicolás Maduro, nos próximos seis meses, quando o Governo fizer o balanço de 2016, dirá que foi um ano "duro e de grandes exigências" mas também "de vitória" porque o "povo se levantou e reverteu essa Assembleia (...) burguesa e converteu-a no que tinha de ser, numa Assembleia (...) burguesa isolada, neutralizada e derrotada"

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