Macron entre a tecnologia digital e o poder de Putin

Presidente francês quer liderar agenda, na economia digital como na geopolítica

A máxima da Economia "não há almoços grátis" foi relembrada ontem pelo presidente francês perante a plateia de convidados no Eliseu, 60 responsáveis por empresas de tecnologia, nos quais se incluiu Mark Zuckerberg. A mesma frase poderá dizer hoje Vladimir Putin a Emmanuel Macron no primeiro de dois dias da visita do francês a São Petersburgo, mas com outra agenda.

O chefe de Estado francês ofereceu um repasto à fina flor do mundo da alta tecnologia e aos patrões das grandes empresas francesas num evento que denominou de Tech for Good. Além do fundador do Facebook, os dirigentes da Microsoft, IBM ou Uber (todos estes tiveram direito a audiência particular) marcaram presença. Depois da piada em relação ao custo da refeição, Macron pediu-lhes para se comprometerem no "bem comum", em áreas como o ambiente ou na luta contra as desigualdades, e em temas específicos relacionados com as empresas, como a justa tributação, a luta contra os conteúdos ilegais ou a proteção de dados.

Ao apelo de Macron, diversas empresas anunciaram medidas de investimento em França ou de melhoria de condições sociais. Por exemplo, a Uber vai passar a oferecer seguros de saúde e de acidentes aos 150 mil motoristas e estafetas, que trabalham por conta própria.

"Sou a favor da inovação e, ao mesmo tempo, sou a favor do trabalho, do bem comum e de uma regulamentação rígida", em particular sobre o combate à propaganda jihadista e ao assédio online, afirmou Macron. O presidente disse ainda que está determinado a defender em Bruxelas que se aplique um imposto de 3% do volume de negócios dos chamados gigantes da tecnologia. "Eu vou até ao fim dessa luta", prometeu.

A maioria dos convidados está hoje na VivaTech, um evento que reúne milhares de startups e 80 mil visitantes e teve Macron como impulsionador quando foi ministro da Economia. O presidente francês discursa na VivaTech antes seguir para uma visita de dois dias a São Petersburgo.

Um ano depois de receber Putin nos corredores do Palácio de Versalhes, Macron vai à procura de um denominador comum na Síria e na Ucrânia e ajuda do Kremlin para que o acordo nuclear iraniano, abandonado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não morra.

"A fraqueza do relacionamento transatlântico não dá a Macron posições com força suficiente para contrariar Putin", comentou Tatiana Kastoueva-Jean, diretora do centro russo do Instituto de Relações Internacionais, com sede em Paris, acrescentando: "Putin sabe que existem diferenças no campo ocidental e, assim que alguém mostra fraqueza, ele explora-a."

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