Macron é o mais influente do mundo com menos de 40 anos

Presidente francês, quarto em 2016, lidera lista da Fortune deste ano, à frente do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. É a primeira vez que um europeu surge em primeiro lugar.

Foi de férias em Marselha que Emmanuel Macron ficou a saber que lidera a lista da Fortune das 40 personalidades mais influentes do mundo com menos de 40 anos. O presidente francês, que no ano passado entrara pela primeira vez para os 40 under 40 da revista americana, subiu três lugares até ao topo, relegando o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, para segundo.

Ao vencer as presidenciais de maio em França, "o mais jovem líder desde Napoleão", escreve a Fortune, acabou com "o sistema bipartidário que governou o país durante gerações". A revista lembra que, aos 39 anos, o antigo banqueiro pode ter em pouco mais de um ano conseguido criar um partido, deixar o governo, candidatar-se às presidenciais, deixar para trás os rivais dos partidos tradicionais logo na primeira volta, bater a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, à segunda volta, e ainda conseguir maioria absoluta nas legislativas, mas a lua-de-mel entre Macron e os franceses parece estar a acabar.

É um facto que as últimas sondagens dão a popularidade do inquilino do Eliseu em queda - 54% de aprovação em julho, menos dez pontos do que no mês anterior - e que a rentrée promete ser dura para Macron. Passados pouco mais de cem dias da sua chegada à presidência, é verdade que conseguiu não só que o Parlamento desse poderes ao governo para reformar o Código do Trabalho como que aprovasse uma das suas promessas de campanha - a lei sobre a moralização da vida pública.

Mas as primeiras contrariedades começaram ainda antes da férias: a oficialização do estatuto de primeira-dama - que prometera criar para a mulher, Brigitte - acabou por ficar na gaveta diante das críticas e das centenas de milhares de assinaturas recolhidas por uma petição que se lhe opunha. Setembro trará os debates sobre a reforma do subsídio de desemprego, a formação profissional e as pensões. Tudo a bem da "renovação do modelo social" que o novo presidente propôs.

Sejam quais forem as dificuldades, Macron já fez história, tendo-se agora tornado também o primeiro europeu a liderar esta lista da Fortune.

E está em muito boa companhia. Além de Zuckerberg - que aos 33 anos ainda tem "muitos anos para andar por esta lista", como escreve a própria Fortune -, são vários os empresários presentes, ou não se tratasse de uma revista económica. Logo no terceiro lugar encontramos Cheng Wei e Jean Liu, o CEO e a presidente da Didi Chuxing, a empresa que em 2016 comprou as operações da Uber na China, mas também Brian Chesky, Nathan Blecharczyk e Joe Gebbia, o CEO e os cofundadores da Airbnb, ou Dmitri Aperovitch, fundador da empresa de cibersegurança CrowdStrike.

Macron não é contudo o único político. Leo Varadkar, eleito em junho primeiro-ministro da Irlanda e filho de um imigrante indiano, surge em quinto lugar. Aos 38 anos, o médico é não só o mais jovem chefe de governo daquele país em muitos séculos como é o primeiro gay assumido. Factos que o próprio considera "irrelevantes", escreve a Fortune, preferindo empenhar-se em proteger a Irlanda das potenciais consequências do brexit e em continuar a atrair os gigantes das novas tecnologias graças ao seu regime fiscal. A republicana Elise Stefanik e o democrata Seth Moulton ocupam o 25.º lugar representando os novos rostos da Câmara dos Representantes nos EUA.

Entre os 40 mais influentes não faltam ainda a tenista Serena Williams, o músico Chance the Rapper ou o ator e produtor Kevin Hart. Não há nenhum português.

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