Macron critica mentiras de Le Pen sobre novo tratado franco-alemão

O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou esta terça-feira as mentiras divulgadas pela extrema-direita francesa sobre o novo tratado franco-alemão assinado em Aachen com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Os que esquecem o valor da reconciliação franco-alemã tornam-se cúmplices de crimes do passado, os que caricaturam ou espalham mentiras fazem mal aos povos que afirmam defender", declarou Macron, dirigindo-se aos que em França difundiram informações falsas sobre o tratado.

A líder da União Nacional, Marine Le Pen, afirmou nas redes sociais que o novo tratado de Aachen (Aix-la-Chapelle para os franceses) menciona a partilha do lugar da França no Conselho de Segurança da ONU com a Alemanha.

A extrema-direita francesa alegou ainda que o alemão se iria tornar a "língua administrativa" nas regiões francesas Alsácia e Lorena.

O Eliseu, em comunicado enviado na segunda-feira à AFP, desmentiu as acusações da extrema-direita, afirmando que a entrada da Alemanha para o Conselho de Segurança é uma prioridade, mas que não haverá qualquer partilha do lugar.

"Paris é favorável à entrada da Alemanha como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, mas a França não vai abandonar este órgão nem partilhar o seu assento", reforçou o gabinete do Presidente.

Numa Europa "ameaçada pelos nacionalismos, pressionada pelo 'Brexit'", a Alemanha e a França "devem assumir as suas responsabilidades e mostrar o caminho, de ambição, da soberania real, da proteção dos povos", afirmou hoje o presidente francês na cerimónia de assinatura do tratado.

"Amamos as nossas pátrias e amamos a Europa porque sabemos que elas são irremediavelmente inseparáveis", adiantou Macron.

A extrema-direita alemã também criticou o tratado. Um dos seus dirigentes, Alexander Gauland, acusou Paris e Berlim de pretenderem com o tratado criar "uma super-UE" no interior da União europeia.

"Nós populistas pedimos que todos se ocupem primeiro do seu país. E não queremos que Macron o faça com o dinheiro dos alemães", afirmou.

O tratado assinado hoje visa a renovar e complementar o do Eliseu, subscrito em 1963 por Charles de Gaulle e Konrad Adenauer e fundamento das relações bilaterais entre a França e a Alemanha.

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