Tufão: Autoridades macaenses esperam regresso à normalidade na segunda-feira

Tufão Hato fez dez mortos e 200 feridos

O secretário para a Segurança admitiu hoje que a vida em Macau regresse à normalidade já esta segunda-feira, considerando "muito positivo" o trabalho desenvolvido até agora, quatro dias depois da passagem do tufão Hato.

"Espero que, de um modo geral, se regresse à normalidade já amanhã" [segunda-feira], afirmou Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa de balanço das operações de recuperação dos danos causados pelo Hato, que na última quarta-feira deixou dez mortos, mais de 200 feridos e um rasto de destruição no território.

"Queremos regressar o mais depressa possível à normalidade, continuar a trabalhar dia e noite, 24 horas, a limpar as ruas, mas este tufão foi sem precedentes, em mais de 50 anos nunca vimos algo tão grave", disse o secretário.

O responsável disse entender "as expetativas dos cidadãos em relação ao Governo" e prometeu que todas as autoridades vão "fazer mais e melhor para recuperar a normalidade o mais cedo possível".

Wong Sio Chak considerou o trabalho feito "até agora positivo", mas lembrou ser preciso tempo "para recuperar fisicamente" a cidade, "e também psicologicamente".

Em relação ao montante dos danos do tufão de quarta-feira passada, o secretário indicou que ainda não foi feita "uma contabilização dos prejuízos", sublinhando "que não serão baixos".

"Até aqui, estamos concentrados em socorrer a população, remover o lixo e procurar regressar à normalidade", disse.

A remoção dos detritos é uma prioridade das autoridades que criaram 40 postos provisório de recolha de lixo, pedindo à população para usar aqueles equipamentos, disse o presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), José Tavares.

O volume do lixo tem vindo a aumentar e no sábado foram recolhidas "2.900 toneladas" e estão na limpeza das ruas mais de três mil voluntários, acrescentou, na mesma conferência de imprensa.

"O lixo é uma responsabilidade de toda a população e se continuarmos a verificar comportamentos irresponsáveis de deixar lixo na rua, iremos atuar nos próximos dois dias, enviando equipas de fiscalização", advertiu o responsável do IACM.

O lixo doméstico está misturado com todo o tipo de detritos e o centro de incineração não consegue dar resposta, obrigando a que o lixo doméstico tenha que ir para o aterro sanitário "o que não é adequado", disse.

"Temos de garantir que o aterro tenha as condições necessárias para receber este lixo", explicou

José Tavares alertou que as autoridades vão enviar também equipas de fiscalização para garantir a segurança alimentar no território, para que não sejam recuperados alimentos que podem estar já estragados. "Não é correto, não aconselho e não é permitido", sublinhou.

Em relação ao abastecimento de água e energia, a diretora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), Susana Wong, afirmou que o fornecimento de água foi retomado, verificando-se apenas falhas em alguns edifícios que ainda não tem eletricidade.

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