Luso-descendentes juntam-se às manifestações contra Nicolás Maduro

Muitos luso-descendentes juntaram-se hoje à marcha dos opositores ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por considerarem que a crise afeta toda a gente e "não há um discurso convincente" da parte do Executivo, que aponte para "soluções rápidas e efetivas".


"Estou aqui (em Chacao, leste de Caracas), porque quero ver mudanças no país, quero ver soluções efetivas para a crise e porque as medidas do Governo não trazem nada de novo, apenas decretos, anúncios, mexidas de ministros, enquanto a situação se agrava cada dia mais", disse uma luso-descendente à agência Lusa.

Com 25 anos de idade, filha de madeirenses, Maria Encarnación Figueira, está a terminar estudos de arquitetura, e "quer ver, de imediato, mudanças no país", um "desejo que contrasta com uma realidade, onde cada dia há menos soluções e mais crise".

"Não quero imitar os meus pais e ter de emigrar para conseguir melhor vida. Emigrar é uma decisão muito dura, que exige valentia e capacidade de adaptação. Não sei se teria capacidade de resistência para isso e espero não ter de chegar a esse extremo", disse.

Já Luís Freitas, 22 anos, marchou porque quer "melhores condições de vida, voltar a ser o jovem estudante feliz que era até há poucos anos".

"Estou a estudar para ser advogado. O Direito, tal como todas as outras profissões, tem sido afetado pela situação jurídica, política e económica venezuelana. Hoje deveria estar a rever matéria e optei por vir para cá, porque é preciso exigir mudanças", disse Luís Freitas.

Filho de um emigrante natural de Aveiro, este luso-descendente queixou-se de que, em "grande parte" do tempo que deveria dedicar a estudar, anda "de supermercado em supermercado à procura de coisas que faltam em casa e sem a garantia de que as conseguirá".

"Você pergunta-me porque devo marchar e eu contraponho: que motivos teria para não marchar, se a cada dia as coisas estão mais difíceis e o Governo o que faz é repetir sempre o mesmo discurso, que o capitalismo não serve, que o modelo ideal é o socialismo, que a direita está em guerra, e isso não conduz a nenhuma melhoria nas condições da população", afirmou.

Milhares de venezuelanos concentraram-se hoje em 15 dos 23 Estados da Venezuela respondendo a uma convocatória da Mesa de Unidade Democrática (MUD).

A convocatória marcou o início de ações para exigir a renúncia do Presidente Nicolás Maduro.

No dia 08 de março, a MUD anunciou o lançamento do "processo" para a realização de um referendo de revogação do mandato presidencial de Nicolás Maduro.

Para afastar o chefe de Estado, a oposição convocou os venezuelanos para realizarem, a partir de hoje, marchas nacionais, ao mesmo tempo que anunciou que vai avançar com uma reforma constitucional para reduzir a duração do mandado presidencial de seis para quatro anos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.