Lula lidera segunda sondagem em dois dias

Pelo segundo dia consecutivo, antigo presidente aparece no topo de uma pesquisa de opinião, com 37%. No cenário que o exclui, Bolsonaro está na frente

Lula da Silva (PT) reuniria 37% dos votos, se as eleições fossem hoje, e se o antigo presidente, preso por corrupção, pudesse concorrer, revelou a primeira sondagem do Instituto Ibope, em colaboração com a TV Globo e com o jornal O Estado de S. Paulo, desde o início da campanha eleitoral. Caso Lula seja substituído por Fernando Haddad como concorrente do PT, o cenário mais provável, é Jair Bolsonaro (PSL) quem está na dianteira, com 20 pontos. Dados semelhantes ao da sondagem CNT/MDA conhecida horas antes. Até ao fim da semana o instituto Datafolha apresentará os seus resultados.

Na hipótese de Lula concorrer, a seguir ao ex-sindicalista surge, com menos de metade dos votos, Bolsonaro, com 18%. A terceira, Marina Silva (Rede), com 6%, o quarto, Geraldo Alckmin (PSDB), e o quinto, Ciro Gomes (PDT), ambos com 5%, ficam a larga distância.

Excluído Lula, passariam à segunda volta Bolsonaro, com os tais 20%, e Marina, que duplica a sua votação e apresenta 12%. Ciro cresce mais na ausência de Lula (chega a 9%), do que Alckmin (passa para 7%). Haddad, o escolhido para ser alternativa no PT, soma meros 4%, pouco mais de um décimo do registo do antigo presidente.

Noutra pergunta da sondagem, que ouviu 2002 brasileiros de 142 municípios entre os dias 17 e 19 de agosto, 60% dizem não votar em Haddad nem mesmo se Lula pedir. Não sabem, não respondem ou não conhecem bem o ex-prefeito de São Paulo 12%. Já 27% votariam certamente, ou eventualmente, nele.

A primeira volta da eleição está marcada para 7 de outubro e a segunda para 28 do mesmo mês.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.