Lula da Silva diz que a sua prisão será a maior "barbárie" jurídica do Brasil

O antigo chefe de Estado do Brasil afirma que está preparado para a possibilidade de ser preso

O ex-Presidente brasileiro Lula da Silva disse que a sua eventual prisão para cumprir 12 anos a que foi condenado será "a maior barbárie" jurídica na história do Brasil, porque será o "primeiro preso político do país no século XXI".

A declaração foi feita na sexta-feira no lançamento do livro "A Verdade Vencerá", resultado de uma entrevista que deu em fevereiro a um grupo de jornalistas e intelectuais e no qual conta a sua versão de todo o processo judicial que o colocou à beira da prisão.

Na obra, de 216 páginas, o antigo chefe de Estado do Brasil afirma que está preparado para a possibilidade de ser preso, não porque reconheça a culpa, mas porque é vítima de perseguição que visa impedi-lo de disputar as eleições presidenciais de outubro.

Lula da Silva reiterou a inocência e manifestou tranquilidade, apesar da situação, noticiou a agência EFE.

"Onde vou as pessoas surpreendem-se porque me esperam depressivo e a sofrer com a situação. 'Como pode estar animada uma pessoa que foi condenada a 12 anos de prisão e dizer, não só que está motivada, como quer ser candidata?', perguntou.

O ex-presidente brasileiro disse estar animado porque convicto de que as pessoas que o condenaram "não estão de consciência tranquila porque sabem que mentiram".

Lula da Silva adiantou que a diferença em relação aos que o acusaram é que pode dormir tranquilo.

"É por isso que estou muito tranquilo. Estou com a tranquilidade dos inocentes. Se neste país há políticos ladrões que têm medo, quero dizer que eu não sou ladrão", destacou.

Referindo que quando terminou o seu mandato presidencial pensou escrever uma autobiografia, Lula da Silva acabou a justificar por que não o fez: porque a maioria dos ex-chefes de Estado que publicam as suas biografias em vida acabam por relatar mentiras.

Nesse sentido, aceitou a proposta que recebeu de fazer um livro a partir de uma entrevista na qual poderia contar tudo o que está a enfrentar, acrescentando que lhe foram feitas perguntas sobre qualquer assunto e sem qualquer censura.

Em 06 de março, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil negou um recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, votando a favor da execução da pena a que foi condenado, de 12 anos e um mês de prisão.

Os cinco magistrados do STJ negaram o recurso com o qual a defesa de Lula pretendia impedir que este fosse preso no final da análise de diligências pendentes no Tribunal da 4.ª Região (TRF4).

A decisão abre o caminho para uma prisão de Lula da Silva assim que o TRF4 terminar de analisar os pedidos de revisão solicitados por seus advogados.

Porém, o ex-presidente já entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal, único órgão judicial que ainda pode reverter as decisões tomadas em tribunais inferiores e mantê-lo em liberdade.

Lula da Silva foi considerado culpado duas vezes do crime de corrupção e branqueamento de capitais, por ter alegadamente recebido um apartamento de luxo na cidade do litoral do Guarujá como suborno da construtora OAS, uma das empresas envolvidas nos escândalos da Operação Lava Jato.

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