Lula da Silva diz à "Folha de São Paulo" que não se vai entregar em Curitiba

O juiz Sérgio Moro ordenou que o ex-presidente se apresentasse hoje à Polícia Federal. Lula da Silva diz estar "tranquilo" e bem-disposto"

O antigo presidente do Brasil, Lula da Silva, disse hoje ao jornal Folha de São Paulo que não se vai entregar à Polícia Federal, em Curitiba, como determinou o juiz Sérgio Moro. A revelação foi feita em conversa telefónica com o jornal brasileiro.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, "Lula da Silva passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, na companhia dos filhos, amigos e dirigentes do partido, e pretende ficar lá durante o dia". Na conversa telefónica, o ex-presidente do Brasil disse estar "tranquilo" e "bem-disposto".

A dúvida agora é se Lula se vai apresentar em São Paulo ou espera que a polícia o vá prender na sede do sindicato.

Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também citado pelo jornal, "uma viagem do ex-presidente a Curitiba teria dificuldades de logística e de segurança, especialmente depois da decisão de Moro de bloquear as contas" de Lula.

O antigo presidente está também a aguardar o resultado de um novo pedido de 'habeas corpus' feito pela defesa, desta vez dirigido ao Superior Tribunal de Justiça.

Ao contrário do que foi avançado pela imprensa brasileira, o ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não negou o habeas corpus apresentado na manhã desta sexta-feira pela defesa de Lula da Silva, segundo informou ao jornal O Globo Sepúlveda Pertence, um dos advogados do ex-Presidente do Brasil. O pedido de habeas corpus que foi negado tinha sido apresentado por um cidadão comum.

A assessoria do STJ publicou um tweet onde nega que o pedido da defesa de Lula tenha sido negado, adiantando que a decisão ainda não foi tomada.

Os advogados de Lula da Silva revelaram, esta sexta-feira, que interpuseram uma providência cautelar na Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos com um pedido para que o Governo brasileiro impeça a prisão de Lula até se esgotarem todos os recursos jurídicos.

"A decisão por uma estreita margem, tomada na quarta-feira, 4 de abril, pelo Supremo Tribunal Federal, demonstra a necessidade de um tribunal independente examinar se a presunção de inocência foi violada no caso de Lula, como também as alegações sobre as condutas tendenciosas do juiz Sérgio Moro e dos desembargadores contra o ex-presidente", diz a nota dos advogados de defesa.

"O pedido de Medida Cautelar foi apresentado pelos advogados do ex-Presidente Lula, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, em conjunto com o advogado britânico Geoffrey Robertson QC, especialista em direitos humanos", lê-se no mesmo documento.

Os advogados tinham feito entrar, durante esta noite, um novo pedido de habeas corpus para evitar que Lula fosse preso. A defesa do ex-presidente entrou com o pedido no Superior Tribunal de Justiça com o argumento de que ainda existem recursos a serem apresentados junto do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

O juiz Sérgio Moro determinou esta quinta-feira que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregue à Polícia Federal brasileira até às 17:00 de Brasília desta sexta-feira (21:00 em Portugal).

Lula da Silva está "tranquilo" e "bem-disposto"

O antigo presidente do Brasil, Lula da Silva, disse hoje ao jornal Folha de São Paulo que não se vai entregar à Polícia Federal, em Curitiba, como determinou o juiz Sérgio Moro. A revelação foi feita em conversa telefónica com o jornal brasileiro.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, "Lula da Silva passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, na companhia dos filhos, amigos e dirigentes do partido, e pretende ficar lá durante o dia". Na conversa telefónica, o ex-presidente do Brasil disse estar "tranquilo" e "bem-disposto".

O juiz vedou a utilização de algemas e a Polícia Federal já tem uma cela à espera do ex-presidente. Lula irá ficar separado dos restantes presos, "sem risco para a integridade moral ou física", lê-se no jornal O Globo.

Recorde-se que Lula foi condenado em duas instâncias judiciais.

A prisão do ex-chefe de Estado está relacionada com um dos processos da Operação Lava Jato, o maior escândalo de corrupção do Brasil. Lula foi condenado por ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a petrolífera estatal Petrobras.

A execução provisória da pena não deverá impedir juridicamente a candidatura presidencial de Lula da Silva, à frente nas sondagens para as eleições de outubro.

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