Lorena Bobbit: a outra história da mulher que cortou o pénis ao marido

Documentário revisita o caso que chocou a América nos anos 1990 pela perspetiva da mulher, que descreve anos de violência doméstica às mãos do marido

Numa noite de junho, em 1993, Lorena Bobbit pegou numa faca de cozinha e cortou o pénis ao marido, John Wayne Bobbit, enquanto este dormia. Em tribunal ficaria demonstrado que a agressão ocorreu na sequência de abusos físicos e emocionais, com Lorena a ser absolvida com base em insanidade temporária. Mas os acontecimentos que conduziram àquela noite pouca ou nenhuma atenção mereceram na comunicação social.

Lorena foi descrita na imprensa como a "latina de sangue quente" que tinha perdido a cabeça e chegou a ser tema de rábulas jocosas em programas humorísticos nas televisões.

O tema das notícias, nos dias, meses e anos que se seguiram ao ataque foram a forma como a polícia recuperou o membro num descampado à beira da estrada, para Lorena esta o tinha lançado durante a fuga de automóvel, como a polícia o recuperou e levou até ao hospital, onde foi reimplantado numa complexa intervenção cirúrgica e como o homem - batizado em homenagem à famosa estrela de westerns - recuperou quase integralmente todas as funções, aproveitando mesmo para lançar (sem sucesso) uma banda de rock chamada severed parts (partes cortadas) e estelar num filme pornográfico.

Agora, uma série documental recém-estreada nos Estados Unidos tenta contar o lado da história que passou ao lado das notícias: os motivos que levaram a jovem imigrante do Equador, agora conhecida pelo nome de Lorena Gallo, a perder definitivamente o controlo. Uma história que começa anos antes, com uma acusação de violação da qual Wayne acabaria por ser absolvido. "Eles sempre se focaram naquilo [o pénis]", contou Lorena numa entrevista ao New York Times , a propósito do documentário. "E parece que todos passaram ao lado ou não quiseram saber porque eu fiz o que fiz".

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