Navio Lifeline com 234 migrantes a bordo já está em Malta

Navio de ONG alemã já teve autorização para atracar num porto maltês e desembarcar os 234 migrantes que tem a bordo

O Lifeline, navio com 234 migrantes resgatados pela ONG com o mesmo nome ao largo da Líbia, já atracou em Malta. A notícia foi avançada pelos media malteses, como o Times of Malta e o Malta Today, dando conta de que há 17 mulheres e cinco crianças a bordo. Quatro migrantes tiveram que ser de imediato encaminhados para o hospital. Três deles são bebés.

O navio atracou em Boiler Wharf, em Senglea, a cerca de 10 Km de La Valetta, a capital de Malta. No local estão quatro carrinhas da polícia, bem como várias ambulâncias e pessoal médico. Foram montadas três tendas de campanha. Aí deverá ocorrer uma primeira triagem dos migrantes.

A ONG também confirmou a chegada do navio através da sua conta de Twitter: "Finalmente, @MV_Lifeline chegou ao porto! Faça já o seu donativo para as próximas missões de salvamento: mission-lifeline.de/de/spenden".

Alvo de fortes críticas, a Lifeline chegou a ser acusada pelo ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini, de fazer tráfico de seres humanos. Itália recusou por isso permitir o desembarque dos migrantes. Malta fez o mesmo. O governo de Joseph Muscat só aceitou o desembarque dos migrantes em solo maltês depois de oito países da UE, incluindo Portugal, se terem oferecido para receber estas pessoas. Os migrantes andaram à deriva durante seis dias. A maioria dos migrantes resgatados são da África Subsariana e, segundo os media malteses, disseram à chegada que fugiram da Líbia para escapar à tortura. E, no caso das mulheres, à violação.

Ainda não se sabe como será feita a divisão dos migrantes, mas a questão estará, certamente, no centro do Conselho Europeu desta quinta e sexta-feira em Bruxelas. A cimeira acontece num momento de forte pressão para a chanceler alemã, Angela Merkel, que recebeu um ultimato dos parceiros de coligação da CSU para conseguir um novo acordo, mais abrangente, a nível europeu, sobre a gestão da crise migratória. A CSU, congénere bávara da CDU de Merkel, está, por seu lado, pressionada pela subida do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas intenções de voto. As eleições regionais no estado federado da Baviera estão marcadas para 14 de outubro.

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