Líderes europeus e asiáticos fazem frente comercial anti-Trump

Cimeira em Bruxelas reuniu 28 líderes da União Europeia, Noruega e Suíça, mais 21 líderes de países asiáticos, além de funcionários da União Europeia e da Associação de Nações do Sudeste Asiático. Em conjunto representam 55% do comércio mundial, 60% da população, 65% PIB global e 75% do turismo global.

Os líderes dos países europeus e asiáticos manifestaram-se esta sexta-feira a favor de relações de comércio livre.

Naquela que foi a quarta reunião de alto nível desta semana transpareceu a tensão comercial das grandes economias mundiais com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Sebastian Kurz, chanceler da Áustria, país que está atualmente na presidência da UE, destacou a importância do encontro europeu com as economias asiáticas, tendo em conta que esse bloco de países detém "a maior índice de crescimento", além de que, sublinhou, "muito em breve a China será a maior economia do mundo".

Recados de Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, por seu lado, deixou uma crítica implícita à atuação da Administração norte-americana no domínio comercial quando enalteceu a importância de "regras" nesta campo, considerando que essa era apenas uma das razões pelas quais esta cimeira era relevante.

"Esta cimeira é um sinal importante porque temos aqui juntos quase dois terços do PIB mundial, de volume de comércio global e de população [representada]", destacou a chanceler alemã, apontando para os "acordos de comércio livre", no âmbito do tema da cimeira dedicado à construção de contactos.

"Esta reunião mostra que há países na Europa e na Ásia que querem um comércio baseado em regras e subscrevem o multilateralismo", vincou Angela Merkel, parecendo apontar uma crítica a Donald Trump.

"Acredito que podemos deixar uma marca no mundo no que diz respeito a situações em que todos possam ganhar, ou seja, deixar claro que, se um pode beneficiar, o outro também pode fazê-lo", disse a chanceler, líder da maior economia da UE.

Sem mencionar um país em concreto, Merkel admitiu que foram abordadas "questões sobre direitos humanos e valores", na cimeira em que estiveram representantes de países como China, Índia, Paquistão ou Irão.

Na declaração escrita, emitida no final da cimeira, destaca-se "a necessidade vital de manter uma economia mundial aberta e manter o sistema multilateral de comércio baseado em regras, centradas na Organização Mundial do Comércio".

A cimeira reuniu 28 líderes da União Europeia + 2 (Noruega e Suíça) e 21 líderes de países asiáticos, além de funcionários da União Europeia e da Associação de Nações do Sudeste Asiático. Em conjunto representam 55% do comércio mundial, 60% da população, 65% PIB global e 75% do turismo global.

Acordos de comércio

A União Europeia assinou um acordo de comércio com Singapura e comprometeu-se a desenvolver esforços para que o mesmo possa vir a acontecer relativamente ao Japão, Vietname a Indonésia e a Malásia.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, referiu-se a outro acordo - assinado em 2011, com a Coreia do Sul -, para exemplificar os "benefícios" que deverão decorrer de novos acordos de comércio, na perspetiva de que possa haver um acordo que englobe toda Associação de Nações do Sudeste Asiático.

"Os beneficiários deste acordo têm sido nossos cidadãos e nossos negócios, mas se o nosso relacionamento comercial atingir todo o seu potencial, precisamos garantir que ele esteja sendo implementado adequadamente", afirmou Juncker, manifestando-se "confiante de que nos próximos anos nossas relações serão ainda mais dinâmicas e nossos vínculos ainda mais fortes do que agora."

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