Presidente filipino deu a ordem: a polícia já matou mais de 100 traficantes

Rodrigo Duterte prometeu erradicar o tráfico de droga em seis meses, autorizando a polícia a alvejar qualquer suspeito que resista à detenção

Nos últimos 59 dias, mais de 100 alegados traficantes de droga foram mortos pelas autoridades filipinas. Ainda antes de assumir oficialmente o poder, o que aconteceu na última quinta-feira, dia 30 de junho, Rodrigo Duterte, novo presidente do arquipélago, conseguiu iniciar a "caça à criminalidade" que efusivamente prometera durante sua campanha eleitoral.

"Façam o vosso dever e se, no processo, matarem mil pessoas estarão a cumpri-lo. Proteger-vos-ei", anunciou Duterte. A sua ordem parece estar a ser prontamente cumprida.

O líder conhecido como "o carrasco" já cumpriu uma das mais polémicas promessas da sua candidatura: autorizou a polícia a atirar para matar sobre os criminosos, particularmente sobre os suspeitos de tráfico de droga. Um dia depois de ter sido empossado, Duterte confirmou que os oficiais têm o direito de matar qualquer suspeito que ameace as suas vidas ao resistir à detenção. Apelou também à participação dos rebeldes comunistas na luta contra o tráfico, reporta a DW.

Só na última semana, a primeira que o líder de 71 anos passou à frente das Filipinas, mais 30 suspeitos de tráfico de drogas foram assassinados. Nas primeiras seis semanas após a sua eleição (a 9 de maio), as autoridades mataram, em média, nove indivíduos por semana, quadruplicando a média dos quatro meses anteriores.

Durante as investigações, as autoridades apreenderam ainda 180 quilos de metanfetamina, o equivalente a mais de 17 milhões de euros (19 milhões de dólares), segundo adiantou Ronald dela Rosa, chefe da polícia, à Newsweek.

Cinco generais da polícia - dois deles já reformados - foram acusados de "proteger" gangues ligados ao tráfico de drogas. Duterte ordenou a sua destituição e a prestação de declarações ao diretor-geral da Polícia Nacional, embora não tenha revelado que indícios sustentam tal decisão.

Durante a corrida eleitoral, o presidente filipino sublinhara que seria "um ditador para aqueles que se portam mal, os criminosos, os traficantes", defendendo a execução extrajudicial de milhares de suspeitos e a "engorda dos peixes da Baía de Manila" com os seus corpos. Rodrigo Duterte prometeu eliminar o tráfico de drogas em seis meses e reintroduzir a pena de morte.