Líder do Ciudadanos diz que Vox é populista mas não de extrema-direita

Na quarta-feira Juanma Moreno será eleito presidente da Junta da Andaluzia, pondo fim ao domínio de 36 anos do PSOE nesta autonomia espanhola que faz fronteira com Portugal. Para isso, o líder do PP andaluz conta com o apoio do Ciudadanos. Mas também do Vox. Partido que defende a revogação da lei sobre a violência de género, a expulsão de todos os imigrantes ilegais ou a mudança da data do Dia da Andaluzia

Albert Rivera defende o novo governo andaluz, formado pelo Partido Popular /PP) e o Ciudadanos, garantindo que os populistas vão ficar de fora da Junta da Andaluzia a partir desta quarta-feira dia 16.

Num encontro com a imprensa estrangeira, horas antes de ter lugar uma mudança politica histórica na Andaluzia, Rivera sublinha que o Vox vai apoiar a tomada de posse de Juanma Moreno, líder do PP andaluz, mas "não vai governar". O primeiro presidente da Junta da Andaluzia do PP, Moreno, de 48 anos, nasceu, curiosamente, em Barcelona, na Catalunha.

Fruto do resultado das eleições autonómicas de dia 2 de dezembro na Andaluzia, PP e Ciudadanos fizeram um pacto de governo para tirar o poder ao PSOE - pela primeira vez em 36 anos - nesta autonomia na fronteira com Portugal. Para isso, contam com o apoio do Vox, liderado por Santiago Abascal, depois de terem feito algumas cedências.

Arredada do poder ficará Susana Díaz, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), até agora presidente da Junta da Andaluzia, com o apoio, precisamente, do Ciudadanos de Albert Rivera.

O dirigente do Ciudadanos diz não querer falar demasiado sobre o Vox para evitar uma publicidade que "dá mais votos". Em seu entender, este partido, que elegeu 12 deputados naquelas eleições, "não é de extrema-direita mas sim populista". E nota: "Comportam-se como tal, prometem coisas que não se podem fazer, dedicam-se ao confronto e não à união".

Após quase quatro décadas de governo socialista na Andaluzia, refere Rivera, "os cidadãos querem uma mudança". O líder do Ciudadanos diz não conseguir entender a atitude do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, do PSOE, o qual "prefere estar com os populistas e os nacionalistas em vez dos partidos constitucionalistas como o PP e o Ciudadanos". Isto referindo-se ao apoio que Sánchez teve, nomeadamente dos independentistas catalães, para fazer passar a moção de censura que tirou do poder o PP de Mariano Rajoy em junho do ano passado.

Rivera, de 39 anos, fala numa "radicalização de Sánchez" com uma "estratégia irresponsável, a pedir aos barões [do PSOE] para não pactuarem com o Ciudadanos" e com uma estratégia e aliados errados "que deveria retificar".

Sobre possíveis acordos futuros com o PSOE a nível nacional ou autonómico, pensa que "com Sánchez vai ser impossível", mas sabe que há outros políticos socialistas que gostavam de se entender com o seu partido.

"Pedro Sánchez ri-se de nós, acha que quem vota PP e Ciudadanos não é democrata", lamenta Rivera, lembrando que muitos andaluzes que votavam no PSOE "mudaram para Ciudadanos".

Sánchez, sublinha, não aceitou a derrota "e foi para a polarização". Isso, afirma, "é mau para Espanha". E prossegue: "Eu prefiro concordar com aqueles com quem partilhamos valores democráticos". Rivera reconhece que Sánchez é o seu adversário político, "é um obstáculo para o entendimento entre constitucionalistas", embora "durante um tempo" tenha havido "entendimento com ele". Recorde-se que, em 2016, Rivera e Sánchez chegaram a ter um acordo para permitir a investidura como primeiro-ministro de Espanha do socialista. Mas a investidura não aconteceu. O cargo foi para Rajoy, depois de a abstenção do PSOE (sob protesto e demissão de Sánchez) ter viabilizado a tomada de posse.

A aproximação de Sánchez aos independentistas catalães, dos quais procura apoio para o Orçamento do Estado, não agrada ao Ciudadanos. Este partido, cofundado por Rivera, é contra a independência da Catalunha. Liderado nessa autonomia por Inés Arrimadas, que curiosamente é natural de Jerez de la Frontera, na Andaluzia, foi o partido que venceu as eleições autonómicas catalães em 2017. Porém, tal como acontece agora com o PSOE de Susana Díaz, foi arredado do poder depois de várias formações independentistas se terem aliado e conseguido maioria absoluta no Parlamento.

Neste seu encontro com os jornalistas estrangeiros, esta segunda-feira, Rivera insistiu no seu compromisso de "não fazer acordos com populismos ou nacionalismos" e é esse o espírito que quer manter no governo de coligação com o PP. Se bem que o Vox tem mantido reuniões com o PP, no sentido de apoiar a posse de Moreno, o líder do Ciudadanos não se mostra preocupado com a possível pressão que este partido possa vir a exercer sobre o futuro governo andaluz. "Podem apoiar as nossas leis e podem chumbá-las. Eles têm deputados no Parlamento andaluz. É uma realidade. Mas não estarão no governo".

Sobre eleições futuras, o Ciudadanos espera obter bons resultados, tanto nas europeias, como nas autonómicas e autárquicas "Em 2014, o Ciudadanos não tinha representação [parlamentar]. Agora, com os resultados na mão penso que podemos sair a ganhar, combater nos mesmos termos do que o PP e o PSOE", afirma Rivera. Nas primeiras semanas de fevereiro, o Ciudadanos vai escolher o seu cabeça de lista às europeias, estando a trabalhar num programa comum com partidos centristas e liberais de outros países porque, conclui, "é bom unir forças na Europa".

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