Novo recorde na Câmara dos Representantes: oito horas a discursar

Nancy Pelosi bateu o recorde anterior, datado de 1909, quando o então congressista democrata Champ Clark pronunciou um discurso de 5 horas e 15 minutos

A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, bateu na quarta-feira o recorde do discurso mais prolongado neste órgão, ao falar durante mais de oito horas consecutivas sobre os jovens imigrantes indocumentados conhecidos como 'sonhadores'.

Pelosi, de 77 anos, falou no plenário para se opor ao acordo orçamental alcançado no Senado e tratar a situação dos 'sonhadores' não considerados no acordo.

A congressista concluiu a sua intervenção depois de mais de oito horas a discursar na Câmara dos Representantes, batendo o recorde anterior datado de 1909, quando o então congressista democrata Champ Clark pronunciou um discurso de 5 horas e 15 minutos contra uma reforma tarifária que então se debatia, segundo meios de comunicação norte-americanos.

A congressista começou o seu discurso às 15.04 de Lisboa e acabou às 23.19, sob uma prolongada ovação da sua bancada, completando mais de oito horas de discurso sobre uns sapatos com tacões com mais de 10 centímetros e apenas bebendo água, indicaram fontes do seu gabinete.

A intervenção prolongada não se trata de um bloqueio legislativo, conhecido como fazer obstrução, nas práticas da Câmara Alta, uma vez que esta figura não existe na Câmara Baixa.

Contudo, os líderes de cada partido são os únicos na Câmara dos Representantes com este privilégio, de usarem um tempo sem limite nas suas intervenções, o qual foi aproveitado por Pelosi.

O objetivo da congressista democrata é conseguir um compromisso do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, para submeter a votação o projeto de lei migratória que sai do Senado, com o objetivo de encontrar uma solução permanente para os 'sonhadores'.

Os líderes do Senado, o republicano Mitch McConnell e o democrata Chuck Schumer, anunciaram na quarta-feira terem alcançado "um grande acordo orçamental" para os próximos dois anos fiscais, em troca de McConnell começar um debate migratório no Senado com a maior brevidade.

Contudo, este acordo não foi apoiado por Ryan, pelo que Pelosi, tal como muitos dos democratas da sua bancada, receia que os esforços do Senado sejam estancados na Câmara dos Representantes e que os 'sonhadores' fiquem sujeitos a deportação.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.