Líder da oposição declarado inelegível por 15 anos

Decisão partiu do órgão de controlo da atuação dos funcionários do Estado e impossibilita-o de se candidatar às presidenciais do próximo ano.

Henrique Capriles, figura principal da oposição na Venezuela e governador do Estado de Miranda (centro do país) foi declarado inelegível por um período de 15 anos, impedindo-o de se candidatar em 2018, segundo uma decisão das autoridades.

O organismo público responsável pelo controlo da atuação dos funcionários do Estado impôs-lhe "uma sanção de inelegibilidade para mandatos públicos por um período de 15 anos". Esta decisão surge num clima de forte tensão na Venezuela.

Numa reação quase imediata, o diretor para as Américas da ONG Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, acusou o executivo de Caracas de ter utilizado "métodos desonestos" para inabilitar Capriles.

Num comunicado, a organização acrescenta que o Governo do Presidente Nicolas Maduro utilizou "métodos desonestos para afastar um a um, do jogo democrático, todos os seus adversários políticos".

"Vários foram condenados penalmente sem provas, como Leopoldo López, e outros, como Henrique Capriles, foram arbitrariamente inabilitados para participar em política. Se ainda existe alguma pessoa que acredita na fachada de democracia de Maduro, a inabilitação de Capriles deveria fazer desmoronar essa fantasia", acrescentou Vivanco.

O líder da oposição tinha previamente alertado que poderia ser declarado não elegível devido a uma investigação promovida pela procuradoria-geral da Venezuela por supostas irregularidades durante o seu mandato de governador no Estado de Miranda.

Em 11 de janeiro Capriles assinalou que foi citado pela procuradoria e alegou que o Governo do Presidente Nicolas Maduro pretendia "envolve-lo" no caso de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

No entanto, um dia depois esclareceu que foi citado por suspeitas de irregularidades na gestão do orçamento do seu Governo regional e não com o caso da construtora Odebrecht, como tinha previamente assinalado.

O procurador-geral da Venezuela, Manuel Galindo, considerou na ocasião que Capriles e outras oito pessoas da sua equipa têm "responsabilidade" nas supostas irregularidades administrativas e sublinhou que estes procedimentos não estão relacionados com o escândalo que envolve a construtora brasileira Odebrecht.

Capriles referiu então que foi multado e na passada quarta-feira assinalou que o seu recurso contra uma multa de 40 mil bolívares (53 euros à taxa de câmbio mais alta) foi rejeitado.

Ler mais

Premium

Ricardo Paes Mamede

O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Os relatórios das instituições internacionais sobre a economia e a política económica em Portugal são desde há vários anos uma presença permanente do debate público nacional. Uma ou duas vezes por ano, o FMI, a Comissão Europeia (CE), a OCDE e o Banco Central Europeu (BCE) - para referir apenas os mais relevantes - pronunciam-se sobre a situação económica do país, sobre as medidas de política que têm vindo a ser adotadas pelas autoridades nacionais, sobre os problemas que persistem e sobre os riscos que se colocam no futuro próximo. As análises que apresentam e as recomendações que emitem ocupam sempre um lugar destacado na comunicação social no momento em que são publicadas e chegam a marcar o debate político durante meses.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.