Le Pen nega ter reconhecido emprego fictício do guarda-costas

A líder do partido de extrema-direita diz que notícia hoje divulgada é "uma mentira descarada"

A candidata da extrema-direita francesa às presidenciais, Marine Le Pen, desmentiu hoje ter reconhecido o emprego fictício do seu guarda-costas como assistente parlamentar europeu, contradizendo um relatório do organismo antifraude da União Europeia divulgado por dois media franceses.

É "uma mentira descarada, nunca reconheci o que quer que fosse perante investigadores, aliás nunca os vi", afirmou a uma rádio a eurodeputada e presidente do partido Frente Nacional.

Segundo o relatório do organismo antifraude da União Europeia (OLAF), citado na quinta-feira pelo 'site' noticioso Mediapart e pela revista Marianne, Le Pen reconheceu ter empregado ficticiamente como assistente parlamentar o seu guarda-costas Thierry Légier, para "regularizar salários e despesas".

Le Pen "reconheceu, por um lado, que as folhas de salário elaboradas para o período de outubro a dezembro de 2011" indicavam um "valor de 41.554 euros" que "nunca foi pago ao beneficiário indicado, Thierry Légier" e, "por outro lado, que ela nunca tinha empregado Légier durante aqueles três meses", de acordo com os extratos divulgados.

Interrogada sobre o relatório, a candidata explicou que houve "um ajuste entre o Parlamento Europeu e o pagamento de terceiros neste caso", mas "absolutamente nada de fictício".

"Tenho todas as provas que darei quando necessário, já as enviei ao OLAF", adiantou.

Questionado na quinta-feira pela agência France Presse, o gabinete de imprensa do OLAF indicou que "a investigação revelou que a deputada realizou um contrato de trabalho puramente fictício com um dos seus assistentes".

Concluído em julho de 2016, o relatório foi entregue ao presidente do Parlamento Europeu. A assembleia tomou conhecimento e os serviços começaram a reter uma parte do salário da eurodeputada para recuperar o dinheiro.

As autoridades francesas também estão a investigar o caso. O inquérito está relacionado com suspeitas de que membros da Frente Nacional enganaram o Parlamento Europeu em várias centenas de milhares de euros utilizando assistentes parlamentares europeus nas atividades políticas do partido.

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