Kremlin diz que "Putinofobia" do Ocidente motiva acusações contra Putin

O porta-voz do Kremlin afirma que a investigação do Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação tem mão da CIA

A presidência russa afirmou hoje que a investigação internacional sobre paraísos fiscais, designada Papéis do Panamá, assenta em invenções e falsificações e visa desestabilizar a Rússia.

"Embora o presidente Putin não figure de facto [na investigação], é claro que o alvo principal é Putin, a Rússia, o nosso país, a nossa estabilidade e as próximas eleições. Trata-se de desestabilizar o país", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O porta-voz afirmou que não há "nada de concreto ou de novo" sobre o presidente russo, Vladimir Putin, atribuindo as referências ao seu nome como consequência de uma "Putinofobia": "O nível de Putinofobia chegou a um nível tal que é impossível dizer qualquer coisa positiva sobre a Rússia 'a priori'", disse.

Peskov disse ainda que a investigação foi realizada por ex-membros da CIA ou do Departamento de Estado norte-americano: "Conhecemos esta denominada comunidade jornalística", disse, referindo-se ao Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, que divulgou os Papéis do Panamá. "Há muitos jornalistas cuja profissão principal é improvável que seja o jornalismo, muitos antigos membros do Departamento de Estado, da CIA e de outros serviços especiais".

O porta-voz recusou comentar as informações contidas nos documentos, afirmando haver "falta de pormenores" e serem "baseadas em alegações e especulações": "Com base no que disse, não queremos responder e não vamos responder".

A investigação, já considerada a maior fuga de informação de sempre, com 11,5 milhões de documentos, lista bens registados em paraísos fiscais de centenas de pessoas, entre as quais 140 dirigentes ou ex-dirigentes políticos.

Na lista figuram vários colaboradores e amigos do presidente russo, mas o nome de Putin não consta da lista. Os documentos, sobre cerca de 214.000 empresas 'offshore', são provenientes da empresa Mossack Fonseca, uma sociedade de advogados com sede no Panamá e escritórios em mais de 35 países.

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