Kim manda número 3 do regime para campo de trabalho

Desde que sucedeu ao pai, por morte deste em 2011, o líder norte-coreano baniu uma centena de altos responsáveis políticos e militares. Uns voltaram, outros foram executados

Uns dizem que foram as divergências políticas que levaram Kim Jong-un a expulsar o número três do regime norte-coreano e enviá-lo para um campo de trabalho. Outros dizem que foi para castigar Choe Ryong-hae, que considera responsável pelo deslizamento de terras que causou danos na central hidroelétrica de Paekdu. A verdade é que um relatório dos serviços secretos sul-coreanos, ontem apresentado no Parlamento em Seul, garante que o secretário do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte foi mesmo levado para uma quinta onde deverá passar uns tempos em reabilitação.

Segundo os deputados sul-coreanos, as maiores divergências entre Kim, de 32 anos, e Choe, de 65, estavam ligadas às políticas de Pyongyang em relação aos jovens. Mas a gota de água que terá levado Kim Jong-un a banir um dos mais alto quadros do Partido dos Trabalhadores e figura do regime terá sido a fuga de água provocada pelo deslizamento de terras que atingiu a central hidroelétrica do monte Paekdu (aquele onde, reza a lenda, terá nascido Kim Jong-il, pai de Kim Jong-un, ao qual este sucedeu em 2011). Lançado em 2002, o projeto para uma barragem e central em Paekdu levou as autoridades norte-coreanas a mobilizar milhares de jovens para ajudar nos trabalhos, que estavam sob responsabilidade de Choe Ryong-hae. Estes ficaram terminados em outubro passado, a tempo das celebrações dos 70 anos do Partido dos Trabalhadores.

Filho do histórico guerrilheiro e antigo ministro da Defesa Choe Hyon, Choe Ryong-hae entrou para o Partido dos Trabalhadores em 1967, tendo mantido um percurso discreto até à morte de Kim Jong-il, quando foi apontado como peça-chave para a ascensão de Kim Jong- -un ao poder. Promovido a vice-marechal, em 2013 foi o enviado de Pyongyang à China, maior aliado do regime norte-coreano. E no mês passado Choe esteve presente na cerimónia de encerramento dos Jogos Asiáticos na Coreia do Sul.

A especulação sobre o afastamento do cargo de Choe subiu de tom depois de este ter faltado ao funeral, no início deste mês, de Ri Ul-sol, um histórico político e marechal norte-coreano. O governo anunciara a presença de 170 altos responsáveis do regime nas cerimónias e Choe não estava entre eles.

Castigo temporário

Os analistas estão convencidos de que este desaparecimento de Choe pode ser apenas temporário. "Não é assim tão grave. Se fosse a sério, ele teria sido morto", explicou à CNN Andrei Lankov, da universidade Kookmin, em Seul. Afinal já houve casos que confirmam esta teoria. Como o de Jang Song Taek, tio de Kim Jong-un que caiu em desgraça várias vezes, tendo voltado ao cargo depois. Até ser executado, em dezembro de 2013, por ter "agido contra o Estado".

Segundo a televisão sul-coreana KBS World, nos quatro anos desde que chegou ao poder, Kim Jong-un já terá banido uma centena de altos responsáveis do partido, do governo ou do exército norte-coreanos. Um número que multiplica por dez as purgas realizadas pelo seu pai no mesmo período de tempo, revelou uma fonte do canal.

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.