Kim Jong-un aceita cimeira e fim dos testes nucleares

Presidente norte-coreano recebeu pela primeira vez delegação sul-coreana. Disponível para dialogar com EUA. Trump aplaude progressos

O presidente norte-coreano indicou que o seu regime está disposto a suspender os testes nucleares (o último aconteceu em novembro) e a encetar conversações sobre a desnuclearização do país com os norte-americanos. Kim Jong-un deixou esta garantia a uma delegação sul-coreana que ontem regressou de Pyongyang.

"A Coreia do Norte deixou clara a sua vontade em desnuclearizar a península coreana e o facto de não haver razão para ter um programa nuclear se não existirem ameaças militares contra o si e se o seu regime estiver seguro", declarou aos jornalistas o líder da delegação da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, ontem citado pela Reuters. Coreia do Norte e Coreia do Sul estão ainda tecnicamente em guerra, mas a tensão tem vindo a diminuir desde o início dos Jogos Olímpicos de Inverno em Seul no mês passado.

"O Norte também disse que pode ter negociações francas com os Estados Unidos sobre a desnuclearização e a normalização das relações entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos", adiantou o mesmo responsável sul-coreano, cuja delegação foi bem recebida por Kim Jong-un. A avaliar pelas fotografias divulgadas, como as de várias de poses, de apertos de mão, até mesmo de um jantar de luxo em mesa redonda com o presidente norte-coreano e a sua mulher. Kim Jong-un ter-se-á assim comprometido a não realizar testes nucleares enquanto decorrerem conversações entre o seu regime e a comunidade internacional.

Numa reação, no Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, congratulou-se com "possíveis progressos feitos em conversações com a Coreia do Norte". O chefe do Estado norte-americano notou: "Pela primeira vez em muitos anos está a ser feito um esforço sério por todas as partes envolvidas. O mundo está atento e à espera." Garantindo que os EUA "estão prontos para ir em qualquer direção", Trump disse ser preciso "ter cuidado com falsas esperanças".

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, sublinhou, por seu lado, que os EUA continuarão com "uma pressão máxima" sobre a Coreia do Norte. "Todas as opções estão em cima da mesa e a nossa posição em relação ao regime não mudará até que dê passos concretos e verificáveis rumo a uma desnuclearização", afirmou, numa declaração oficial. A Coreia do Norte argumenta que os norte-americanos têm a intenção de invadir o seu território, mas os Estados Unidos, que têm 28 500 militares estacionados na Coreia do Sul, negam.

A China reagiu de forma mais cautelosa e encorajou apenas os esforços de reconciliação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. No encontro em Pyongyang, o presidente Kim Jong-un (que pela primeira vez se reuniu com uma delegação sul--coreana) concordou com uma cimeira entre as duas Coreias, em abril, em Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul. O emissário Chung Eui-yong, conselheiro para a segurança do presidente sul-coreano Moon Jae-in, indicou ainda que as duas Coreias concordaram abrir uma linha de comunicação de emergência entre os seus presidentes. E que a cimeira, a terceira desde o final da Guerra da Coreia (1950-1953), será precedida de uma conversa telefónica entre Kim Jong-un e Moon Jae-in.

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