Karima Delli: "UE enfrenta uma crise humanitária"

Eurodeputada francesa de Os Verdes fala ao DN sobre o futuro da Europa

É a mais jovem a presidir a uma comissão. Pensa que é o primeiro passo para um novo caminho no Parlamento Europeu?

Esta eleição foi uma grande honra, significa muito para mim porque acredito que as instituições europeias têm de mudar para trazer mais jovens e mais mulheres. É realmente um novo passo, com mais responsabilidades e muitos projetos.

Li que quer trazer um estilo diferente à liderança de uma comissão, que estilo é esse?

De uma forma geral, penso que a UE está demasiadas vezes afastada dos cidadãos. O que é uma pena, porque lidamos com temas essenciais como transportes, saúde, agricultura e ambiente! As nossas decisões têm um impacto direto no dia-a-dia dos cidadãos. Por isso, tenciono ir o mais possível para o terreno, encontrar-me com pessoas em escolas, em empresas de transportes, etc. Quero mesmo "abrir" a comissão dos Transportes.

Filha de imigrantes, como vê a atitude da Europa em relação aos imigrantes e refugiados? E nos EUA com Donald Trump?

A história europeia e americana são baseadas no valor da hospitalidade e mistura cultural. O isolamento nacionalista é um absurdo e a proibição muçulmana de Trump é inaceitável, é uma violação dos direitos humanos. Na Europa, o que estamos a enfrentar é uma crise humanitária: foi uma vergonha ver Estados membros recusarem a proposta de Juncker de receber migrantes com uma repartição justa entre os 28. No final, o acordo que a UE assinou com Erdogan não foi mais do que uma forma de rejeitar a sua responsabilidade...

O que pode a Europa, e as instituições europeias, fazer para melhorar as suas políticas?

Precisamos de rever a política de asilo, precisamos de nos livrar do acordo de Dublin para garantir que cada migrante pode pedir asilo no país que ele ou ela querem e não naquele onde ele ou ela fazem o pedido. Isto requer uma real política de migração europeia baseada na humanidade e solidariedade. Pensamos, por exemplo, que temos de criar gabinetes encarregados de conceder asilo de forma igual por toda a Europa.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...