'Hacker' britânico que acedeu a sistemas do Pentágono não vai ser extraditado para os EUA

Lauri Love, de 32 anos, recorreu da extradição alegando recear pela saúde se fosse detido nos EUA

A justiça britânica recusou hoje extraditar para os Estados Unidos o 'hacker' ("pirata informático") britânico Lauri Love, acusado de entrar nos sistemas informáticos das Forças Armadas norte-americanas, da NASA e da Reserva Federal.

O Tribunal Superior de Londres deu provimento ao recurso apresentado por Lauri Love, bloqueando a sua extradição, mas determinou que o 'hacker' pode ser julgado no Reino Unido.

Love, 32 anos, recorreu da ordem de extradição assinada em novembro de 2016 pelo Ministério do Interior britânico alegando recear pela sua saúde se fosse detido nos Estados Unidos, uma vez que sofre de depressão e da síndrome de Asperger, uma forma de autismo.

"Esta decisão afeta evidentemente a minha vida, mas se passei por esta provação, não foi apenas para me poupar ser raptado e preso durante 99 anos num país onde nunca estive. É um precedente que evitará que isso aconteça a outros", disse Love à saída da audiência.

O escritório de advogados Kaim Todner, que representa Love, saudou em comunicado a decisão, frisando que "o sistema judicial britânico decidiu que devem ser as autoridades a resolver o problema, em vez de aceitar os pedidos do governo norte-americano".

"O sistema reconheceu também que a assistência de saúde mental nas prisões norte-americanas não é suficientemente adequada para garantir que Lauri não sofreria um prejuízo grave em caso de extradição", acrescenta o texto.

O britânico é alvo de um processo nos Estados Unidos por acesso ilegal a um servidor de uma agência do Pentágono, conspiração, pirataria informática e roubo de identidade agravado.

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