Justiça alemã pede oito anos de prisão para migrante acusado de assassínio

O migrante, que afirma ser afegão, é acusado de ter apunhalado mortalmente um adolescente

A justiça alemã pediu esta segunda-feira oito anos de prisão para um migrante acusado de ter apunhalado mortalmente um adolescente, um caso que conjuntamente com outros deu origem a uma campanha racista da extrema-direita contra os estrangeiros.

O atacante, um jovem requerente de asilo, afirma ser afegão apesar de a nacionalidade não ter sido confirmada, arrisca-se a ser condenado a uma pena que pode ir até aos 15 anos de cadeia pelo tribunal de Laundau in der Pfalz, sudoeste da Alemanha.

Em 2017, na cidade de Kandel, o jovem matou com uma faca de cortar pão um amigo de 15 anos de idade.

O agressor, identificado como Abdul D., reconheceu os factos e demonstrou remorso perante o tribunal.

Segundo a acusação, o jovem quando chegou à Alemanha, não acompanhado, ingressou num centro de acolhimento destinado a menores de idade porque afirmava, na altura, ter 15 anos de idade.

Em julgamento, um especialista afirmou que o Abdul D tinha entre 17 e 20 anos de idade.

De acordo com várias testemunhas Abdul D atacou o amigo identificado como Mia num estabelecimento comercial que atingiu com sete facadas tendo sido neutralizado pelas pessoas que se encontravam no local, no dia 27 de dezembro de 2017.

O caso de Abdul D faz parte de uma série de agressões que foram amplamente noticiadas na Alemanha envolvendo requerentes de asilo no país e que suscitaram protestos por parte da extrema-direita contra as políticas migratórias da chanceler alemã Angela Merkel.

O processo que envolve Abdul D tem sido evocado de forma particular pela extrema-direita alemã que acusa a chanceler de estar na origem de uma "onda de insegurança" por ter "aberto as portas" do país a mais de um milhão de pessoas, candidatas a asilo, desde 2015.

O partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD), com representação parlamentar desde as eleições do ano passado, tem insistido nas mensagens contra os migrantes utilizando os factos ocorridos em Kandel no final de 2017.

Ao longo dos últimos meses o AfD tem também organizado várias manifestações que têm sido marcadas por atos de violência repudiados, sobretudo, pela social-democrata Malu Dreyer, chefe do governo da região (Renânia-Palatinado).

O partido de extrema-direita é igualmente responsável pela organização das manifestações de Chemntiz, cidade localizado em território que pertencia à República Democrática Alemã (RDA), onde membros radicais de direita acusam dois migrantes (um cidadão provavelmente de origem síria e outro de origem supostamente iraquiana) da morte de um cidadão alemão de 35 anos, no passado dia 26 de agosto.

No sábado, 18 pessoas ficaram feridas durante confrontos de Chemnitz entre os manifestantes de extrema-direita e opositores de esquerda.

Esta segunda-feira na cidade de Chemnitz vai realizar-se um concerto de rock sob o lema "Nós somos muito mais" organizado por grupos contra a extrema-direita e que esperam "milhares de pessoas" contra o racismo e a xenofobia.

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