Juncker lembra a Macron que UE não se resume ao eixo franco-alemão

Presidente do executivo comunitário quer uma cooperação para preencher o fosso da divisão do continente europeu entre Leste e Ocidente

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, advertiu esta terça-feira no Parlamento Europeu que a União Europeia não se resume a França e Alemanha, durante um debate sobre o Futuro da Europa com o Presidente francês, Emmanuel Macron.

"Sei a importância que atribui à amizade franco-alemã e, por razões geográficas e históricas, sou muito a favor da aproximação entre os dois países, mas não esqueçamos que a Europa não é só franco-alemã. Nós somos 28, amanhã 27 (com a saída do Reino Unido). É preciso também o contributo dos outros para que o motor possa funcionar. Não somos apenas franceses e alemães", declarou Juncker, que interveio logo a seguir à intervenção de Macron.

O presidente do executivo comunitário disse também desejar que "todos em conjunto" trabalhem para que "este fosso que divide a Europa entre Leste e Ocidente seja preenchido por uma ambição comum".

"Creio que a sorte da Europa não pode consistir na divisão e em virar uns contra os outros. A Europa é um todo", declarou.

Macron tem mantido reuniões de trabalho regulares com a chanceler alemã Angela Merkel - por vezes ambos dão mesmo conferências de imprensa conjuntas por ocasião das cimeiras de chefes de Estado e de Governo da UE - e na quinta-feira tem agendado novo encontro com Merkel, em Berlim.

Em resposta, na sua intervenção final, o chefe de Estado francês manifestou-se surpreendido com as várias referências durante o debate - também de diversos eurodeputados, não só Juncker - ao chamado eixo franco-alemão.

"Foram muitos a falar do eixo franco-alemão. Ninguém me ouviu falar do eixo franco-alemão no meu discurso, e por isso estou surpreendido com a vossa reação", começou por referir, para de seguida justificar a importância de Paris e Berlim tentarem concertar posições.

"Atribuo de facto importância à relação com a Alemanha, mas nunca considerei que a Europa se esgote aí. Sei simplesmente, pela História, que se não houver um mínimo de acordo entre França e Alemanha perdemos muito tempo a avançar e a levar a Europa na boa direção", disse.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.