Juncker em digressão pelos Balcãs para promover alargarmento da UE

Dos seis países que o presidente da Comissão Europeia visita nesta semana, Montenegro e Sérvia serão os primeiros a fazer parte do bloco comunitário. O investimento de Bruxelas na região, só este ano, ronda mil milhões de euros.

Jean-Claude Juncker começou o seu mandato em 2014 a dizer que não haveria um alargamento da União Europeia num futuro próximo. Mas no dia 6 deste mês a Comissão apresentou a sua estratégia para os Balcãs Ocidentais, na qual é dito que Sérvia e Montenegro deverão tornar-se Estados membros até 2025 e que Albânia e a Antiga República Jugoslava da Macedónia são os seguintes na lista, não esquecendo as pretensões de Kosovo e Bósnia e Herzegovina. Hoje, o luxemburguês dá início a uma viagem de cinco dias por estes seis países - e que terminará na Bulgária, que preside neste semestre à União Europeia - para promover a estratégia de Bruxelas com vista ao alargamento.

"Os Balcãs Ocidentais são estrategicamente muito importantes e irão, mais cedo ou mais tarde, juntar-se à UE", disse fonte de Bruxelas ao EUobserver, justificando a importância desta viagem. "A influência geopolítica de Rússia, China e Turquia na região está a crescer e é muito importante que a influência da UE se mantenha lá e continue predominante", prosseguiu a mesma fonte. Este interesse de Bruxelas traduz-se também num aumento gradual do financiamento ao abrigo do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão até 2020 - só em 2018, já estão previstos 1,07 mil milhões de euros, que vêm juntar-se aos quase nove mil milhões do período 2007-2017.

Juncker leva na bagagem boas notícias para Tirana e Skopje. "A Comissão Europeia irá recomendar em breve, provavelmente no verão, que os Estados membros iniciem as negociações de adesão com a Albânia e a Antiga República Jugoslava da Macedónia", disse nesta quinta-feira o comissário para o Alargamento, Johannes Hahn, em entrevista ao Die Welt. "Acreditamos que os dois países fizeram reformas importantes no passado e portanto estão qualificados para este passo", prosseguiu o austríaco, que acompanhará Juncker na viagem, tal como Federica Mogherini, a líder da diplomacia da UE. Ekaterina Zaharieva, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Bulgária, disse já neste mês que a decisão de iniciar as negociações de adesão poderá ser tomada na cimeira de chefes de Estado e governo em junho.

A Macedónia é candidata à adesão desde 2005 e está em negociações com a Grécia para resolver a disputa sobre o seu nome, contenda que vem desde a independência da Jugoslávia, em 1991, e que tem atrasado o processo junto da UE, mas também da NATO. Em janeiro, Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, disse acreditar que a situação poderá ficar resolvida no primeiro semestre deste ano. Já a Albânia, candidata à adesão desde 2014, "tem feito muito na luta contra o crime organizado", declarou Hahn na mesma entrevista.

Dias antes da viagem que hoje inicia, Jean-Claude Juncker fez um aviso que afeta diretamente um candidato à adesão já em negociações - a Sérvia - e um potencial candidato - o Kosovo. "Existem muitas disputas fronteiriças nos Balcãs Ocidentais que devem ser resolvidas antes de darmos um passo em frente", disse o presidente da Comissão. Em janeiro, a Sérvia abandonou as conversações em Bruxelas sobre a normalização das relações entre os dois países na sequência do assassínio de Oliver Ivanovic, político sérvio, no Kosovo.

Quanto à Bósnia, "a Comissão começará a elaborar um parecer sobre o pedido de adesão quando tiver recebido respostas pormenorizadas e completas ao seu questionário", refere um documento de Bruxelas, tudo indicando que Sarajevo poderá começar as negociações de adesão em 2023.

Esta digressão termina com um almoço na quinta-feira em Sófia, a convite do primeiro-ministro Boyko Borisov, com Juncker e representantes dos seis países que visitou. A Bulgária - que ambiciona fazer avançar este processo de alargamento durante a sua presidência da UE - receberá na sua capital, a 17 de maio, uma cimeira entre a UE e o bloco das seis nações dos Balcãs Ocidentais.

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