"Tenho vivido num aparthotel de 50 m2", conta Juncker

Presidente da Comissão Europeia diz que, no próximo mandato, metade dos comissários devem ser mulheres

Jean-Claude Juncker considera que, no próximo mandato, metade das pastas da Comissão Europeia devem ser entregues a mulheres e que o número de comissários deve ser reduzido dos 29 atuais.

"Quando eu formei a minha equipa, há cinco anos, os Estados membros só propuseram uma mulher! Eu garanti que houvesse mulheres em pelo menos nove das 28 pastas. Concordo, esta situação é ridícula, há poucas mulheres. E isso aplica-se a todos os outros cargos de topo que há na União Europeia. 60% dos licenciados são mulheres, por isso o mínimo que deve acontecer é que metade dos comissários sejam mulheres", disse o presidente da Comissão cessante, numa entrevista publicada pelo jornal alemão Bild.

Recusando-se a dizer quem prefere para seu sucessor, a avaliar se Manfred Weber é ou não um bom candidato, Juncker admitiu que tanto Margrethe Vestager (liberal) como Frans Timmermans (socialista) são bons candidatos. A dinamarquesa é atualmente comissária da Concorrência e o holandês é vice-presidente da Comissão.

Sobre o número de comissários, um por cada Estado membro, Juncker diz que são demasiados. "Eu pedi várias vezes que o número de comissários fosse reduzido. Não há trabalho suficiente para manter 28 comissários ocupados todo o dia. Por isso reformulei a Comissão, criei vice-presidentes e reduzi o número de pastas. O meu sucessor terá de tomar medidas semelhantes porque os Estados membros não chegam a acordo sobre a redução do número de comissários".

Sobre o seu dia-a-dia em Bruxelas, o ex-primeiro-ministro luxemburguês lembra que não tem muitas regalias, explicando: "O presidente da Comissão não tem uma residência. Eu tenho vivido num aparthotel de 50 m2 por 3250 euros ao mês. Donald Tusk [presidente do Conselho Europeu] também não tem uma residência oficial. O secretário-geral da NATO, pelo contrário, tem uma residência e convida-nos para ir lá quando precisamos de descansar".

Neste contexto Juncker lembra um episódio caricato com o presidente dos EUA Donald Trump: "Quando eu estive em conversações com Donald Trump, estava constantemente a olhar para o relógio, para não perder o meu voo. Trump estava sempre a dizer-me: 'O teu avião pode esperar!' Ele não percebeu que eu não tinha um avião para mim".

O mandato de Juncker e da restante Comissão Europeia termina em outubro. A nova equipa de comissários e o novo presidente deverão tomar posse no início de novembro. Os tratados dizem que o Conselho deve ter em conta os resultados das eleições europeias na escolha do novo presidente da Comissão. Nestas o partido mais votado foi o PPE. E o seu candidato à Comissão é Weber. Mas muitos chefes do Estado e do governo, com o presidente francês Emmanuel Macron à cabeça, não querem o alemão da Baviera no Berlaymont.

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

Navegantes da fé

Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.