Juncker confessa ato de vandalismo contra consulado português

Presidente da Comissão Europeia referia-se a um caso ocorrido "há mais de 40 anos", que é investigado "até ao dia de hoje" pela polícia luxemburguesa

O presidente da Comissão Europeia confessou esta quarta-feira ter "atirando pedras" sobre a representação diplomática de Portugal no Luxemburgo. O ato foi confessado no Parlamento Europeu, perante o primeiro-ministro português.

Jean-Claude Juncker referia-se a um caso ocorrido "há mais de 40 anos", que é investigado "até ao dia de hoje" pela polícia luxemburguesa.

"Em jovem, participei em protestos e manifestações em frente ao consulado português, para o fim da ditadura no vosso país. Até ao dia de hoje, a polícia do Grão Ducado investiga o assunto alguém atirou uma pedra a uma janela do consulado geral [e] a polícia não encontrou o responsável. Ele está perante vós", confessou o antigo primeiro-ministro luxemburguês.

Durante a sua intervenção inicial, Juncker referiu-se várias vezes a Portugal e aos portugueses, que "constituem mais de 20 por cento, da população luxemburguesa". "Todos ou quase todos os meus vizinhos são portugueses. É um prazer todos os dias ouvi-los a falar português", admitiu Juncker. Porém, foi a falar do passado de Portugal, relativamente à transição para a democracia, que mais se deteve.

"Não me esqueci que foi o povo português que, em 1974, pôs fim a quase meio século de opressão e de ditadura, abrindo assim uma via pacífica rumo à democracia. [Foi] um acontecimento que trouxe alívio e esperança a todo o nosso continente", lembrou.

Não me esqueci que foi o povo português que, em 1974, pôs fim a quase meio século de opressão e de ditadura, abrindo assim uma via pacífica rumo à democracia

"Portugal, depois da revolução, imediata e logicamente, virou-se para a Europa, com a liderança inspiradora de Mário Soares, para criar a sua jovem democracia em solidariedade, compartilhando as mesmas ambições de paz que esquecemos muitas vezes e sem as quais nada mais seria possível", afirmou.

Por sua vez, o primeiro-ministro António Costa referiu-se ao fim da ditadura como o acontecimento que permitiu a adesão à comunidade de valores que permite "ser Europeu", pertencendo ao "sistema de valores comum: a paz, a defesa incondicional da democracia, o primado do Estado de Direito, a liberdade, a igualdade, a dignidade da pessoa humana, a solidariedade".

"Foram os valores que trouxeram Portugal à Europa, foi a vontade de consolidar a democracia reconquistada, de poder partilhar um espaço comum de liberdade, de segurança, de paz e de prosperidade", afirmou.

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