Juiz suspenso depois de usar boné da campanha de Trump em tribunal

Trump assina um chapéu igual ao que o juiz usou em tribunal

Canadiano decidiu levar boné da campanha de Trump para o tribunal no dia a seguir a eleição do presidente norte-americano

Bernd Zabel, um juiz canadiano, foi suspenso por 30 dias sem pagamento, por usar um boné de beisebol da campanha eleitoral de Donald Trump em tribunal, após as eleições dos EUA.

A ação do juiz desencadeou um total de 81 reclamações formais e, dez meses depois, o tribunal de Ontário convocou uma audiência disciplinar e tomou uma decisão, considerando que a conduta de Zabel ficou aquém da imparcialidade e objetividade exigidas aos juízes.

"Não hesitamos em declarar que as ações do juiz Zabel constituem uma grave violação dos padrões de conduta judicial, o que teve um impacto negativo sobre a confiança pública no poder judiciário e na administração da justiça", lia-se na decisão tomada pelo tribunal, citada pelo The Guardian.

No dia a seguir às eleições presidenciais nos EUA, em novembro de 2016, Zabel entrou no tribunal em Hamilton, Ontário, com a beca vestida - o traje preto comprido utilizado por magistrados em tribunal - e um boné de beisebol vermelho com a frase "Make America Great Again", o slogan da campanha de Trump - em português, "tornar a América grande outra vez".

O juiz, de 69 anos, explicou no tribunal que o boné deveria assinalar uma noite "sem precedentes" nos Estados Unidos, identificando-se como o único apoiante de Trump entre os seus colegas.

O incidente atraiu a atenção dos media, sendo que, dias depois do sucedido, o juiz pediu desculpas pelo que apelidou de "uma tentativa equivocada de marcar um momento na história", adiantando ainda que a decisão que tomou não se destinava a marcar uma declaração política ou a apoiar os pontos de vista políticos de Trump.

Muitas das queixas recebidas pelo tribunal destacavam as observações que Trump tinha feito contra mulheres e muçulmanos durante a campanha eleitoral, questionando se Zabel seria justo e imparcial em julgamento.

O tribunal recebeu ainda 63 cartas de apoio ao juiz, muitas das quais elogiaram Zabel pelo profissionalismo e integridade ao longo de 27 anos na profissão.

As cartas foram consideradas durante a audiência, e o juiz explicou ao painel de quatro pessoas que lamentava profundamente as suas ações, descrevendo-as como uma "tentativa mal pensada" de humor: "O homem retratado nessas queixas não sou eu. Eu não sou racista, não sou discriminador, não sou misógino", afirmou.

Destacando o "serviço imaculado e exemplar", o conselho judicial afirmou que o "ato único, anormal e inexplicável" não significa que os grupos vulneráveis devem temer o tratamento que recebem da justiça aplicada por Zabel: "A evidência demonstra que Zabel tem uma mente aberta e imparcial que não exibe nenhuma das visões misóginas, racistas ou homofóbicas que muitos dos queixosos atribuem a Donald Trump", afirmou o conselho, ainda que tenha aplicado a suspensão por 30 dias.

Giulia Gambacorta, advogada de Zabel, afirmou que o juiz está ansioso por regressar ao trabalho, destacando ainda que "foi um longo processo, tem sido um julgamento muito público para Zabel e ele mostrou-se arrependido desde o primeiro dia".

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