Jornalista assassinado no México. É o 10.º este ano

As duas pessoas que estavam com o jornalista também foram mortas

Na terça-feira, foi assassinado mais um jornalista no México, o 10.º este ano. Cándido Ríos Vázquez foi morto a tiro em Hueyapan de Ocampo, no sul de Veracruz. Com o jornalista estavam duas pessoas, o ex-inspetor da polícia Víctor Acrecio e um segurança, que também morreram. Os três homens estavam em frente a uma loja de comida quando foram baleados por desconhecidos.

Ríos Vázquez trabalhava há 10 anos na secção policial do jornal Diario de Acayucan e fundou La Voz de Hueyapan. Esta quarta-feira, o jornal Diario de Acayucan publicou a fotografia de Ríos Vásquez na capa com a frase "As nossas armas não disparam balas, disparam palavras".

Segundo a Univision, que cita a Comissão Estatal para a Atenção e Proteção dos Jornalistas, Ríos Vásquez estava sob um mecanismo de proteção do governo, destinado aos defensores dos direitos humanos e jornalistas.

Esta quarta-feira, a secretaria de governação, equivalente ao ministério do Interior, afirmou que o assassinato de Ríos Vázquez não está relacionado com a sua profissão e o que o alvo era provavelmente umas das pessoas que estavam com o jornalista no momento do crime.

"Todos os indícios indicam que o ataque está relacionado com outra pessoa, não com o jornalista", disse Roberto campa, subsecretário do departamento do direitos humanos da secretaria de governação.

Há duas semanas, o jornalista publicou um vídeo de quase 15 minutos no Facebook em que denunciou vários políticos e disse que as verdades que revelava são incómodas para muita gente.

A maioria dos jornalistas mortos este ano no México eram autores de artigos sobre sobre corrupção e crime organizado.

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