Exonerados chefe do Estado-Maior, líder da secreta e embaixador angolano em Lisboa

General Nunda, arguido num processo de burla ao Estado angolano, foi um dos substituídos por ordem do presidente angolano

O presidente angolano exonerou hoje 22 altos responsáveis, entre os quais o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o diretor-geral do Serviço de Inteligência Externa e o embaixador de Angola em Lisboa.

Segundo informação das agências Lusa e Reuters, João Lourenço, conhecido por JLo, exonerou sobretudo oficiais superiores que exerciam funções em instituições que vão do Estado-Maior das Forças Armadas à Casa de Segurança.

A mais sonante exoneração é a do general de exército Geraldo Sachipengo Nunda, que era chefe do Estado-Maior das Forças Armadas desde 2010. Com 65 anos, antigo oficial da UNITA (maior força da oposição em Angola), Nunda foi constituído arguido no processo-crime de tentativa de burla do Estado no valor de 50 mil milhões de dólares, anunciou no final de março o responsável pela Direção Nacional de Investigação e Ação Penal e sub-procurador-geral da República de Angola, Luís Ferreira Benza Zanga.

Em causa, noticiou a Lusa, está o processo relativo aos crimes de burla por defraudação, associação criminosa, falsificação de documentos, falsificação de títulos de crédito, na quantia de 50 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros), um suposto financiamento tailandês para investimentos em Angola.

Nunda será agora substituído naquele cargo por António Egídio de Sousa Santos, até agora Chefe do Estado-Maior General-Adjunto para a Área de Educação Patriótica de Angola. Em paralelo com as 22 exonerações, JLo fez ainda 20 nomeações. O general Sequeira João Lourenço, irmão do chefe do Estado, foi exonerado do cargo de secretário executivo da Casa Militar e nomeado chefe adjunto da Casa de Segurança do Presidente da República.

Na lista dos exonerados sonantes surge também o diretor-geral do Serviço de Inteligência Externa André de Oliveira João Sango, que tinha sido nomeado por decreto presidencial no dia 12 de outubro de 2012, na presidência de José Eduardo dos Santos. Sango foi substituído por Luís Caetano Higino de Sousa.

Exonerado de funções para que tinha sido nomeado em 2009, refere nota da Casa Civil do presidente enviada à Lusa, foi também o embaixador de Angola em Lisboa José Marcos Barrica. Ex-ministro da Juventude e dos Desportos, de 56 anos, Barrica é exonerado numa altura de tensão nas relações Angola-Portugal, devido ao processo Fizz, que está a julgar, em Lisboa, o ex-vice-presidente da República angolana, Manuel Vicente. Em janeiro, JLo, que chegou ao poder em setembro do ano passado, afirmou que as relações entre Portugal e Angola iriam "depender muito" da resolução do processo de Vicente e classificou a atitude da Justiça portuguesa como "uma ofensa" para o seu país.

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Anselmo Borges

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