Jerusalém "não está à venda"

Esta é a resposta da Palestina à ameaça de Trump de cortar fundos ao país

A presidência palestiniana afirmou hoje que Jerusalém "não está à venda", em resposta à ameaça de Donald Trump de cortar 300 milhões de dólares de ajuda financeira se os palestinianos se recusarem a negociar com Israel.

"Jerusalém é a eterna capital do Estado da Palestina e não está à venda por ouro ou mil milhões", disse à Agência France Presse (AFP) Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência, em referência à recusa palestiniana de retomar as negociações após o reconhecimento por Washington da Cidade Santa como a capital de Israel.

A decisão dos EUA irritou os palestinianos, que querem fazer de Jerusalém Oriental anexada por Israel a capital do estado que aspiram, e foi alvo de críticas em todo o mundo.

"Não nos opomos a retomar as negociações, mas devem ser baseadas em leis internacionais e resoluções da ONU que reconheceram um estado palestino independente com Jerusalém Oriental como a capital", acrescentou o porta-voz.

Trump ameaçou na terça-feira reduzir a ajuda financeira dos Estados Unidos aos palestinianos.

"Pagamos aos palestinianos centenas de milhões de dólares por ano sem reconhecimento ou respeito", afirmou o presidente norte-americano, no Twitter.

Os Estados Unidos enviaram 319 milhões de dólares (264 milhões de euros) aos palestinianos em 2016 através da sua agência de desenvolvimento, de acordo com dados disponíveis no site da agência. Foram ainda adicionados 304 milhões de dólares (252 milhões de euros) para programas da ONU nos territórios palestinianos.

Donald Trump não especificou quais os auxílios a que se refere na sua mensagem no Twitter.

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