Palestina diz que iniciativa dos EUA vai destruir o processo de paz

O político, Rami Hamdallah, considera que mudança aumentará conflitos e violência

O primeiro-ministro palestiniano disse hoje, num encontro com diplomatas europeus, que o previsível reconhecimento dos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel vai "destruir o processo de paz e a solução de dois Estados".

Rami Hamdallah disse que a mudança "vai aumentar os conflitos e a violência em toda a região" e irá "destruir o processo de paz e a solução de dois Estados".

O chefe de governo palestiniano exortou os diplomatas europeus a reconhecerem um Estado da Palestina nas terras ocupadas por Israel em 1967.

O Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, deverá reunir os seus conselheiros nos próximos dias para analisar a situação.

O Presidente dos Estados Unidos vai reconhecer hoje Jerusalém como capital de Israel, para onde vai transferir a embaixada, atualmente em Telavive, segundo responsáveis da administração norte-americana, citados pelas agências noticiosas internacionais.

De acordo com responsáveis norte-americanos, citados pelas agências noticiosas AP, AFP e Efe, Donald Trump vai, de seguida, ordenar ao Departamento de Estado que inicie a transferência da embaixada, de Telavive para Jerusalém, um processo que deve demorar anos.

A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação da parte oriental conquistada em 1967.

Israel considera a Cidade Santa a sua capital "eterna e reunificada", mas os palestinianos defendem pelo contrário que Jerusalém-leste deve ser a capital do Estado palestiniano ao qual aspiram, num dos principais diferendos que opõem as duas partes em conflito.

Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos.

Uma lei norte-americana de 1995 solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os Presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação, a cada seis meses, com base em "interesses nacionais".

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