Japoneses vão poder casar aos 18, mas álcool só aos 20

O Japão, o país com a maior longevidade do mundo, decidiu baixar a entrada na idade adulta. Medida entra em vigor em 2022

Desde que foi estabelecida em 1876 pelo código civil do país que a maioridade no Japão era aos 20 anos. Mas as autoridades do país decidiram agora baixar o limite para os 18. A partir de 2022, quando a medida entra em vigor, os jovens japoneses vão poder casar sem necessidade do consentimento dos pais, ter cartão de crédito, fazer um empréstimo ou obter um passaporte válido por dez anos logo a partir dos 18 anos.

Até agora o casamento era legal para as raparigas a partir dos 16 anos e para os rapazes a partir dos 18 mas exigia um documento assinado pelos pais a dar autorização. Também os passaportes dos menores são apenas válidos por cinco anos e precisam da assinatura de um dos pais ou de um "guardião".

Os jovens japoneses também poderão pedir o reconhecimento oficial da mudança de sexo a partir dos 18, graças a esta revisão do código civil

O que continuarão a só poder fazer aos 20 é jogar, beber álcool ou fumar. Festejar a entrada na idade adulta com um sake, a bebida tradicional, só mesmo por sua conta e risco. Tal como fazer uma aposta legal nas quatro formas de jogo legais no país: corridas de cavalos, ciclismo, corridas de motos ou de barcos.

Proibidos de beber álcool até aos 20, os japoneses terão também de mudar os hábitos no Dia da Entrada na Idade Adulta, uma celebração anual em que jovens, rapazes e raparigas, vestiam o seu melhor kimono para festejar com a sua primeira bebida legal. Ao baixar a idade para os 18, esta celebração, que se realiza na segunda segunda-feira de janeiro, arrisca-se a chocar com os exames dos jovens que se estão a candidatar à universidade.

Esta alteração do código civil pretende incentivar a participação dos jovens japoneses na sociedade e na economia. Um fator importante numa sociedade envelhecida como a japonesa. Preocupadas com as previsões que apontam para que o Japão perca um terço dos seus 127 milhões de habitantes nas próximas cinco décadas, as autoridades de Tóquio têm implementado medidas para incentivar a fertilidade e apoiar as mães trabalhadoras, além de tentar inverter a resistência à entrada de imigrantes.

Com uma esperança média de vida acima dos 85 anos, o Japão tem uma das populações mais envelhecidas do mundo e uma das taxas de fertilidade mais baixas, 1,4 filhos por mulher.

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