Japão inicia uma nova era. Naruhito sucede ao pai e imperador Akihito em abdicação histórica

Akihito era imperador desde 1989 e esta terça-feira fez a passagem de testemunho para o filho, dando início a uma nova era na monarquia hereditária mais antiga do mundo.

É o fim da era imperial de "Heisei" (conclusão da paz) e um momento histórico no Japão. Esta terça-feira, o imperador japonês Akihito torna-se o primeiro a abdicar do trono em 200 anos, para dar lugar ao filho, o príncipe Naruhito. A cerimónia já começou esta manhã, mas só na quarta-feira se dará início ao reinado de Reiwa (Bela harmonia - segunda a tradução oficial portuguesa da embaixada do Japão). Apesar da figura de imperador não ter qualquer poder político no Japão, é um símbolo nacional, naquela que é a monarquia hereditária mais antiga do mundo.

As cerimónias desta terça-feira - também conhecidas como Taiirei-Seiden-nogi - começaram com breves rituais privados no Palácio Imperial de Tóquio, de acordo com a BBC. Depois, o imperador deu início à passagem de testemunho para o filho, numa fase da cerimónia já aberta ao público. Estima-se que estiveram presentes mais de 330 pessoas.

A partir de quarta, é Naruhito, de 59 anos, quem assume o trono. O príncipe, agora imperador, estudou na Universidade de Oxford e tornou-se príncipe herdeiro aos 28 anos. O historiador de formação promete ajudar o Japão a avançar para a modernização, tornando-se o imperador número 126 a subir ao Trono do Crisântemo.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, esteve presente e sublinhou a era de paz que o país tem experimentado nestas três décadas.

Akihito torna-se, assim, o primeiro monarca japonês a abandonar voluntariamente o trono desde 1817. Aos 85 anos, o imperador recebeu permissão legal para abdicar do trono depois de dizer que o seu estado de saúde, fruto da idade, o incapacitava para as suas tarefas.

Já em 2016, o pai e imperador Akihito insinuou que se queria ausentar, mas só cerca de três anos depois o concretizaria, até porque nessa altura abdicar do seu cargo não era permitido por lei. "Quando considero que o meu nível de condicionamento físico está progressivamente em declínio, torna-se difícil cumprir meus deveres como símbolo do Estado", disse, na altura.

Um imperador adorado

A popularidade de Akihito foi sentida durante a cerimónia pública desta manhã. Em entrevista à Reuters, vários japoneses lá presentes lamentaram a despedida, apesar de compreenderem as razões pela qual foi decidida. "Acho que o imperador é amado pelo povo", disse um deles. "A sua imagem é de acelerar o povo depois de desastres e estar perto das pessoas", sublinhou outro.

Desde a sua nomeação, em 1989, recusou a figura "divina" de imperador, procurando humanizar o cargo que ocupou. O imperador foi um dos principais impulsionadores do país após a Segunda Guerra Mundial e os danos que causou na reputação do Japão, tendo assumido a proximidade da população como a sua imagem de marca, ao contrário do que os outros imperadores fizeram.

Durante o discurso de abdicação, aproveitou para agradecer ao povo japonês e desejou "paz e felicidade" ao país e ao resto do mundo. Akihito disse sentir-se "com sorte" por ter cumprido as suas funções "com um profundo sentimento de confiança e respeito para o povo".

Tanto ele como a imperatriz Michiko receberão agora o título de "imperadores eméritos". A escolha do título, segundo justificou a agência da Casa Imperial japonesa, teve como intuito "expressar admiração e respeito pela acumulação de experiências e conquistas" obtidas pelo casal imperial nos seus 30 anos de reinado.

A seguir a Naruhito, o destino do trono é incerto. O novo imperador e a mulher, Masako, têm apenas uma filha, a Aiko, de 17 anos, mas as mulheres estão interditas ao trono. Segundo a linha de sucessão, o lugar seria de Akishino, o irmão mais novo de Naruhito, e o seu filho, Hisaito, de 12 anos.

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