Itália recusa ceder a Bruxelas e mantém o seu orçamento

Roma tem até ao final do dia para rever a proposta orçamental chumbada pela União Europeia.

O governo italiano recusa ceder face à Comissão Europeia e não deverá apresentar nenhuma alteração ao seu orçamento para 2019, arriscando sanções financeiras por parte de Bruxelas (mesmo que a sua implementação seja, para já, apenas hipotética).

A Itália tem até ao final do dia para rever a proposta orçamental chumbada pela União Europeia, mas para a coligação formada pela Liga (extrema-direita) e pelo Movimento 5 Estrelas (antissistema), este orçamento anti-austeridade vai relançar o crescimento e permitir reduzir o défice e a dívida.

O conselho de ministro reuniu no Palácio Chigi e, segundo a agência italiana Ansa, a proposta "permanece inalterada".

"Estamos a trabalhar numa proposta que garanta mais empregos, mais direito às pensões e menos impostos não para todos, mas para a maioria dos italianos. Se para a Europa estiver bem assim, estamos contentes, se não continuamos em frente", disse o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, à entrada para o conselho de ministros.

À pergunta sobre a proposta mudaria, Salvini responde que não, abanando a cabeça.

"Não há novidades legislativas, temos o compromisso de conter o défice" em 2,4%, disse o vice-presidente do Governo e ministro do Desenvolvimento, Luigi Di Maio, do Movimento 5 Estrelas, após a reunião do conselho de ministros na qual ficou acordada a resposta a dar à Comissão Europeia, que será enviada pelo ministro de Economia, Giovanni Tria.

Pela primeira vez na história da União Europeia, Bruxelas rejeitou a 23 de outubro a proposta orçamental italiana. Apoiada pelo resto da União Europeia, a Comissão Europeia rejeitam os argumentos de Roma, que promete um défice de 2,4% do PIB em 2019 e 2,1% em 2020. A Comissão acredita que o défice será de 2,9% no próximo ano e 3,1% em 2020.

Ao recusar mudar o orçamento, Itália arrisca a abertura de um processo por défice excessivo, que poderá levar a sanções financeiras correspondentes a 0,2% do seu PIB (cerca de 3,4 mil milhões de euros).

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