Israel quer acabar com o transporte de animais vivos

Em Portugal, as iniciativas legislativas do PAN para alterar as regras do transporte foram chumbadas, mas o partido diz que não vai desistir

Todas as semanas chegam a Israel milhares de animais vivos, transportados por via marítima desde a Europa e a Austrália, sob contestação dos ativistas, que denunciam a falta de condições no transporte. Agora, os ministros israelitas aprovaram um decreto-lei que visa eliminar progressivamente o embarque de animais vivos para abate no país.

Segundo o The Times of Israel, o projeto prevê que haja uma redução de 25% ao ano no transporte de ovelhas e bezerros vivos que chegam da Europa e da Austrália, na expectativa que seja eliminado por completo no período de três anos, após a publicação do diploma.

Os autores da proposta lembram que os animais são transportados durante longas viagens, debaixo de temperaturas muito elevadas e envolvidos nas suas próprias fezes e nas dos outros animais. Por isso, sugerem a Israel que importe carne e não animais vivos.

No início do mês, 228 advogados assinaram uma petição pedindo a suspensão do transporte marítimo dos animais, alegando que este viola os direitos dos mesmos. E muitas outras figuras públicas e ligadas à política manifestaram-se nos últimos meses.

Só nos primeiros seis meses deste ano, foram transportados 363.456 animais para o país, um aumento de 36% relativamente ao período homólogo do ano passado.

Em abril, ativistas do movimento `Setúbal Animal Save´ protestaram junto ao porto da cidade contra o embarque de milhares de animais para Israel. Em causa, explicaram, estão as condições em que o transporte é feito: "Aqueles que não morrem durante a viagem - por causa da sobrepopulação e do excesso de calor de frio durante, dependendo da altura do ano - chegam lá doentes, com membros partidos, cheios de fezes, com doenças".

PAN congratula decisão

Entretanto, o PAN - Pessoas-Animais-Natureza usou o Facebook para felicitar Israel pela aprovação do projeto-lei : "O PAN congratula esta decisão e recebe com agrado estas mudanças esperançosas, que reforçam a urgência de se terminar com a exportação de animais vivos em Portugal".

Salientando que não irá desistir, o partido lembra que "o Projeto de Resolução do PAN que recomendava ao Governo a adoção de medidas para o cumprimento das regras de bem-estar no transporte de animais vivos, discutido em setembro de 2017, foi rejeitado com os votos contra do PSD, PS, CDS-PP, PCP e a abstenção do BE e do PEV".

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