Israel e Palestina em cinco perguntas

Israel nasce da ocupação?

> O Estado de Israel completou 70 anos na segunda-feira. Mas a história de Israel confunde-se com a do povo judaico. Os judeus reclamam a herança dos reinados bíblicos de David e de Salomão, bem como das terras dos seus antepassados, com Jerusalém à cabeça. No final do século XIX, em resposta ao crescimento dos nacionalismos e do antissemitismo na Europa, os judeus inspiram-se nos escritos do jornalista austríaco Theodor Herzl e iniciam um movimento de migração em massa para as terras que são hoje Israel e Palestina. O sionismo (nacionalismo judaico) tinha como meta a criação de um Estado judaico. A convivência entre as centenas de milhares de judeus e os árabes, em território controlado pelos britânicos, foi tudo menos pacífica.

O que é o dia da catástrofe?

> Após a aprovação, pelas Nações Unidas, da partição do território em dois, em 1947, os estados árabes da região declararam guerra a Israel. Egito, Síria, Jordânia e Iraque, bem com as milícias palestinianas, foram derrotadas. Na sequência do conflito armado, Israel fica com 77% do território - Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental são as exceções - e declara a independência. Do território fogem para cima de 700 mil palestinianos. É esta fuga em massa que os palestinianos chamam nakba, catástrofe, e é comemorado a 15 de maio, um dia após a declaração da independência israelita. Os palestinianos exigem o direito a regressar às terras ocupadas. Os números variam (4,5 a sete milhões), mas hoje há muito mais refugiados palestinianos.

A região foi pacificada?

> Nem por isso. Ameaçado pelo Egito de Nasser, em 1967 foi Israel que iniciou o conflito que ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias. O Estado hebraico apoderou-se de Jerusalém e Cisjordânia, dos montes Golã (Síria) e de Gaza e península do Sinai (Egito). A resolução 242 da ONU exigia a retirada de Israel dos territórios ocupados e a resolução do problema dos refugiados, mas o governo israelita apenas devolveu o Sinai. Em 2005, tropas e colonos israelitas saíram de Gaza.

O que é hoje a Palestina?

> A Palestina aspira a ser um país independente. Na Faixa de Gaza, em apenas 365 km2 amontoam-se cerca de dois milhões de pessoas. Além do problema demográfico, a população sofre com o bloqueio de Israel, iniciado em 2007 na sequência da chegada do Hamas ao poder. O grupo extremista, apoiado pelo Irão, atacou Israel diversas vezes, e o exército hebraico ripostou em três ocasiões. Já a Cisjordânia, com 2,6 milhões de palestinianos e meio milhão de israelitas a viver em colonatos, é administrada pela Autoridade Palestiniana, mas ocupada militarmente por Israel. O governo de Mahmoud Abbas, da Fatah, é muito mais moderado do que o do Hamas.

E Israel, é moderado ou extremista?

> Israel é uma democracia parlamentar, a mais avançada da região, que serve 8,5 milhões de habitantes (um quinto árabe). Já o governo de Benjamin Netanyahu nasce de uma coligação nacionalista e religiosa de direita e extrema-direita, que não tem dado condições para a solução de dois Estados.

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