Israel lança ofensiva em Gaza após tiroteios que mataram soldado israelita e quatro palestinianos

Tensão na região voltou a aumentar quando posições israelitas foram visadas

Militantes israelitas disseram esta sexta-feira que fogo palestiniano matou um soldado perto da fronteira com Gaza, a primeira baixa israelita em meses de violência.

Segundo Israel, "um grupo de terroristas atirou sobre os militares israelitas" e levou à morte de um soldado.

Esta foi a primeira morte do lado de Israel desde os protestos de palestinianos contra Gaza iniciados em 30 de março.

Três palestinianos tinham sido mortos na Faixa de Gaza pelo Exército israelita, que anunciou ter desencadeado bombardeamentos em todo o enclave após se ter referido a disparos contra as suas posições.

Segundo um balanço do Ministério da Saúde de Gaza, dois palestinianos foram mortos perto de Khan Younes, sul do território, num ataque contra um posto de observação do Hamas, o movimento islamita no poder em Gaza.

Um terceiro palestiniano foi morto pelas forças israelitas em Rafah, também no sul da Faixa de Gaza, acrescentou o ministério.

Os disparos contra os soldados israelitas terão ocorrido no decurso de "violentos distúrbios ao longo da barreira de segurança" que assinala a fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, prosseguiu o responsável militar.

Protestos permanentes

Desde 30 de março que os palestinianos protestam regularmente no setor fronteiriço para denunciar o bloqueio imposto em Gaza e exigir o regresso dos refugiados palestinianos expulsos ou que fugiram das suas terras em 1948, no decurso da formação do Estado de Israel.

Cerca de 135 palestinianos, a maioria desarmados, foram mortos por fogo israelita desde essa altura.

Esta sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, visitou uma cidade israelita perto de Gaza que foi duramente atingida por fogo palestinos ao longo dos anos, e considerou que "os chefes do Hamas estão levar [Israel] à força a uma situação sem escolha" e que serão eles os responsáveis por toda a "destruição e vítimas", falando na possibilidade de avançar com uma ampla operação militar.

Israel tem dito que não tem interesse noutra guerra com o Hamas, mas diz que não tolerará mais as ações dos palestinianos contra Israel.

Na noite de sexta-feira soaram sirenes em zonas do sul de Israel alertando contra fogo palestiniano, tendo Israel dito que dois foram intercetados pelo sistema de defesa aérea.

EUA falam no "direito de defesa" de Israel

Os Estados Unidos reagiram entretanto às ações militares dizendo que Israel tem "direito a defender-se" e culparam o movimento islamita Hamas de provocar tensões na região.

"Israel tem direito a defender-se", disse à agência de notícias Efe um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, que pediu anonimato, ao ser questionado sob a ofensiva israelita.

A porta-voz da Casa Branca enviou à Efe um artigo de opinião publicado na quinta-feira por três altos funcionários norte-americanos, que argumentam que "os atos de agressão do Hamas só produziram miséria para o povo de Gaza".

Esse texto, publicado no Washington Post, é assinado pelo genro e conselheiro de Trump, Jared Kushner, o enviado da Casa Branca para o Médio Oriente, Jason Greenblatt, e o embaixador dos EUA em Israel, David Friedman.

Kushner e Greenblatt realizaram consultas por todo o Médio Oriente durante meses para elaborar um plano de paz entre israelitas e palestinianos, embora os últimos tenham se recusado a se reunir com eles depois de a administração de Donald Trump ter reconhecido Jerusalém como a capital de Israel.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.