Irmãos entre os suicidas. Homem de branco por identificar

Balanço dos atentados de Bruxelas aponta para 31 mortos e 300 feridos. Turquia deportou um dos jihadistas

Os irmãos Ibrahim e Khalid El Bakraoui foram ontem identificados como dois dos suicidas dos atentados de terça-feira em Bruxelas, que fizeram pelo menos 31 mortos e 300 feridos. Um laço familiar cada vez mais mais corrente nos ataques levados a cabo por militantes do Estado Islâmico e outros radicais contra aqueles que consideram ser inimigos do Islão.

Basta retroceder até aos atentados de novembro em Paris para nos depararmos com outro exemplo: Salah Abdeslam, que até ser capturado na sexta-feira pelas autoridades belgas era o homem mais procurado da Europa, e o seu irmão Brahim, que se fez explodir no café Voltaire. Em janeiro de 2015, também na capital francesa, o ataque contra o Charlie Hebdo foi levado a cabo por Chérif e Saïd Kouchi, que acabaram abatidos durante um cerco policial. Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, há ainda a registar os casos de Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev, que a 15 de abril de 2013 levaram a cabo os atentados da maratona de Boston.

"É um fenómeno muito natural. É o que chamo ativação da identidade social. É uma questão de proximidade. É por isso que existem nos grupos jihadistas tantos irmãos, algumas vezes irmãs, e vizinhos. Eles revoltam-se, inventam uma identidade de defensores de um Islão agredido. Radicalizam-se e apoiam-se uns aos outros", explicou à AFP o psiquiatra e antigo analista da CIA Marc Sageman.

Ibrahim El Bakraoui, de 29 anos, foi identificado como um dos dois bombistas suicidas do aeroporto de Bruxelas. Deixou um testamento, encontrado num computador deitado num caixote do lixo perto do apartamento onde se escondiam em Schaerbeek. No documento, ele descreve-se como alguém "sempre em fuga, sem saber o que mais fazer, a ser caçado em todo o lado, já não estando seguro e que se continuar por aqui arrisca-se a ser a próxima pessoa numa cela", numa referência ao destino de Salah Abdeslam.

Uma hora após o ataque ocorrido junto ao balcão da American Airlines no aeroporto, o seu irmão, Khalid, de 27 anos, fez-se explodir no metro de Maelbeek.

Os dois irmãos, nascidos na Bélgica, tinham registo criminal por assalto à mão armada, mas as autoridades não os tinham ligado ao Estado Islâmico até à detenção de Abdeslam. Foram identificados através de impressões digitais e imagens de videovigilância. Ibrahim foi condenado a nove anos de prisão em 2010 por disparar contra polícias durante uma tentativa de assalto. Estava em fuga desde o ano passado, quando violou os termos da sua liberdade condicional.

Ainda em 2015, foi deportado da Turquia, tendo a Bélgica ignorado os avisos de que era militante do Estado Islâmico. A informação foi avançada ontem pelo presidente turco, Recep Tayip Erdogan, que explicou que o jovem foi detido em junho de 2015 em Gaziantep, perto da fronteira com a Síria, e deportado em julho para a Holanda, cujas autoridades também foram notificadas. "Reportámos a deportação à embaixada belga em Ancara a 14 de julho de 2015, mas ele foi mais tarde libertado", afirmou o líder turco.

Já Khalid foi condenado a cinco anos de prisão por carjacking em 2011. Acredita-se que alugou, com um nome falso, o apartamento no bairro de Forest, em Bruxelas, onde decorreram buscas na semana passada, mas também a casa na cidade de Charleroi, no sul da Bélgica, usada para planear os ataques de Paris.

Os dois irmãos poderão ter fugido do apartamento em Forest durante a operação policial, na qual foi encontrado no local as impressões digitais de Salah Abdeslam, detido na última sexta-feira.

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