Irão diz-se vítima de bullying dos Estados Unidos

Se Washington sair do acordo nuclear, Teerão também o fará. Guterres lembra que está em jogo uma "vitória diplomática"

Foi através do YouTube, e em inglês, que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão disse que as exigências do presidente dos EUA em alterar o acordo nuclear são inaceitáveis. "O Irão não vai renegociar o que foi acordado há anos e que está em vigor", afirmou Javad Zarif.

"Deixem-me esclarecer de maneira absoluta e de uma vez por todas: não vamos deixar a nossa segurança nas mãos de outros, nem renegociaremos ou acrescentaremos alíneas a um acordo que já estabelecemos de boa-fé", disse Zarif, que foi o negociador-chefe do acordo por parte do Irão.

Zarif acusou os Estados Unidos de "violarem de forma constante o acordo nuclear, particularmente por intimidarem outros [países] de forma a impedir que as empresas regressassem ao Irão".

Em sentido inverso, o ministro iraniano lembrou que a Agência Internacional de Energia Atómica confirmou 11 vezes que o Irão está a cumprir as suas obrigações. Zarif criticou também os líderes europeus que respondem às críticas de Trump "com mais concessões tiradas dos bolsos" dos iranianos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que as sanções ao Irão vão voltar, a menos que os aliados europeus corrijam as "terríveis falhas" no acordo nuclear com o Irão até dia 12. Em troca do levantamento das sanções económicas o Irão acordou em restringir as suas atividades nucleares, algo que Trump descreveu como o pior acordo alguma vez negociado.

Em entrevista à BBC4, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembrou que o acordo firmado em 2015 entre a República Islâmica do Irão, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a UE e a Alemanha, "é uma importante vitória diplomática" e, como tal, crê que é "importante manter".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov advertiu Washington, caso este saia do acordo: "A comunidade internacional perderá uma das ferramentas mais importantes que contribuem para assegurar a não- proliferação de armas de destruição maciça."

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