Irão avisa que não aceitará mudanças no acordo nuclear de 2015

Donald Trump manteve a vigência do acordo nuclear com o Irão e suspendeu sanções, mas disse que seria a "última vez" que o faria

O Irão anunciou hoje que não aceitará mudanças no acordo nuclear de 2015 com as potencias mundiais, depois de o Presidente dos Estados Unidos ter dito que queria trabalhar com os aliados europeus para corrigir "falhas" no acordo.

Numa declaração divulgada pela agência oficial de notícias, IRNA, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão disse que o país "não aceitará qualquer alteração do acordo, nem agora nem no futuro", acrescentando que não fará mais nada além dos seus compromissos.

Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, já tinha acusado o Presidente norte-americano, Donald Trump, de procurar sabotar o acordo nuclear, que "não pode ser renegociado".

As declarações foram feitas pouco depois de o Presidente dos Estados Unidos ter confirmado a suspensão das sanções contra o Irão, levantadas no quadro do acordo, embora ressalvando que era "a última suspensão" que assinava.

Donald Trump manteve a vigência do acordo nuclear com o Irão, confirmando uma moratória às sanções contra Teerão, indicou a Casa Branca, sublinhando que esta "foi a última vez".

Trump tem vindo a anunciar que vai rasgar o acordo de 2015 - assinado entre o Irão, os Estados Unidos, a Rússia, a China, o Reino Unido, a França e a Alemanha -, que pôs fim às sanções contra Teerão em troca de uma limitação ao programa nuclear iraniano.

A administração norte-americana terá de tomar nova decisão sobre se prescinde ou não das sanções contra Teerão em 60 dias.

Até lá, segundo um alto responsável dos EUA, Washington pretende "trabalhar com os parceiros europeus" sobre novos termos do acordo para endurecer as condições do texto de 2015.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

Premium

João César das Neves

Donos de Portugal

A recente polémica dos salários dos professores revela muito do nosso carácter político e cultural. A OCDE, no habitual "Education at a Glance", apresenta comparações de indicadores escolares, incluindo a remuneração dos docentes. O estudo é reservado, mas a sua base de dados é pública e inclui dados espantosos, que o professor Daniel Bessa resumiu no Expresso de dia 15: "Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países (a taxas de tributação que, portanto, se aproximam do dobro) para que os salários dos seus professores sejam iguais aos praticados nestes países."