Iraniano-britânica detida no Irão há mais de três anos inicia greve de fome

Nazarin foi visitar a família em Teerão e já não pôde voltar à sua casa, no Reino Unido. O marido continua a lutar pela sua libertação e também vai fazer greve.

Nazanin Zaghari-Ratcliffe, uma iraniano-britânica detida há mais de três anos no Irão, iniciou uma greve de fome para exigir a sua libertação, anunciou este sábado o marido, que se vai juntar ao protesto.

Citado pela imprensa britânica, Richard Ratcliffe disse que a mulher informou as autoridades judiciais de que vai recusar alimentos, mas que continuará a aceitar água, até que lhe seja concedida "a libertação incondicional". O marido da detida disse ainda que vai juntar-se ao protesto e fazer também greve de fome junto da embaixada do Irão em Londres, a partir de hoje.

Zaghari-Ratcliffe, que trabalhava na organização de solidariedade associada à agência de notícias Thomson Reuters, foi detida em abril de 2016 quando visitou o Irão com a filha. As autoridades iranianas acusaram-na de ter participado em manifestações contra o goberno de Teerão em 2009 e de atualmente conspirar contra o governo, mas a família nega e diz que a mulher estava de visita à família, que vive no país.

Em setembro de 2016, Zaghari-Ratcliffe foi condenada a cinco anos de prisão por participação em manifestações contra o regime em 2009, o que ela nega. A pena foi confirmada em recurso em abril de 2017.

A filha do casal, de 5 anos, vive com os pais de Zaghari-Ratcliffe no Irão.

Proteção diplomática

Nazarin já realizou uma greve de fome de três dias em janeiro, protestando contra a falta de cuidados de saúde na prisão. "O tratamento médico de Nazarin devido ao volume do peito, a dores no pescoço e a dormência nos braços e pernas está atualmente bloqueado e foi-lhe proibida a consulta de um psiquiatra exterior (à prisão)", disse na altura o seu marido, Richard Ratcliffe, à agência France Presse.

Em março passado, o Reino Unido veio em defeza de Nazarin: "A concessão de proteção diplomática no caso de Nazanin significa que o governo britânico reconhece formalmente que o seu tratamento não cumpre as obrigações do Irão à luz o direito internacional e eleva-o ao nível de uma disputa formal entre Estados", anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico num comunicado. "Não tomei esta decisão com ligeireza", declarou Jeremy Hunt, o chefe da diplomacia britânica, citado no comunicado.

Hunt apontou nomeadamente o "tratamento inaceitável" reservado a Nazanin Zaghari-Ratcliffe nos últimos três anos, bem como a "falta de acesso a tratamento médico", explicando que esta decisão "é um passo diplomático importante que indica a Teerão que o seu comportamento é completamente injusto". "Nenhum governo deveria usar pessoas inocentes como peões para exercer influência diplomática", acrescentou, pedindo a libertação de Nazanin Zaghari-Ratcliffe.

A proteção diplomática é um mecanismo "raramente usado" através do qual um Estado pode requerer a proteção de seus cidadãos "se considerar que os atos de um outro Estado os estão a prejudicar", adiantou o ministério.

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