Inglaterra vai permitir que as mulheres tomem medicação para o aborto em casa

Até agora, todos os procedimentos abortivos tinham de ser feitos em contexto hospitalar, mas a mulher abandonava a clínica logo após a toma do segundo comprimido, pelo que, em muitos casos, os efeitos do aborto - sangramento, dor - começavam a caminho de casa

Uma mulher que queira interromper a gravidez em Inglaterra, até às dez semanas de gestação, tem de tomar dois medicamentos - Mifepristone e Misoprostol - numa clínica, com 24 a 48 horas de intervalo entre as tomas. Após uma forte campanha de ativistas para a realização do aborto em casa, o governo anunciou este sábado que irá legalizar o uso doméstico de medicamentos para interrupção da gravidez em casa, permitindo a ingestão do segundo comprimido fora do contexto hospitalar.

A decisão, anuncia o The Guardian, segue os passos dados pela Escócia, que no ano passado se tornou a primeira parte do Reino Unido a permiti-lo, e pelo País de Gales, que em julho anunciou que iria tomar a mesma medida.

Atualmente, as mulheres saem das clínicas logo depois de tomar o Misoprostol, o que, segundo o Departamento de Saúde e Assistência Social, pode provocar stresse e traumas desnecessários, já que algumas mulheres começam sentir os efeitos do aborto - sangramento, dor, náuseas - ainda durante o caminho para casa.

Com a nova legislação, conta a publicação britânica, as mulheres podem interromper a gravidez num ambiente seguro e familiar.

Lesley Regan, presidente do colégio de Obstetrícia e Ginecologia, considera que a legalização da toma do Misoprostol em casa "é um grande passo à frente pela saúde das mulheres". Uma "medida simples e prática", que permitirá que as mulheres "evitem a aflição e o constrangimento do sangramento e dor" no regresso a casa, ou até mesmo de uma segunda visita ao hospital ou clínica.

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Anselmo Borges

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