Índia vai construir 3000 km de muros para impedir atropelamentos por comboios

Nos últimos três anos morreram cerca de 50 mil pessoas nas movimentadas linhas férreas da Índia, onde circulam 12 mil comboios por dia transportando mais de 20 milhões de passageiros.

O governo indiano anunciou que pretende construir mais de três mil quilómetros de muros - barreiras de cimento com 2,7 metros de altura - ao longo das vias férreas que atravessam zonas residenciais.

Segundo o jornal The Indian Express, a decisão foi tomada após a recente tragédia no Punjab, em que 61 pessoas morreram atropeladas por um comboio, durante a celebração do festival hindu de Dusshera.

Segundo os dados oficiais do governo, morreram mais de 49 mil pessoas em acidentes deste tipo nos últimos três anos.

Os comboios são um meio de transporte vital na Índia, onde circulam diariamente 12 mil composições, transportando mais do dobro da população portuguesa: 23 milhões de passageiros.

Mas é uma rede problemática. Só em 2015 morreram 33 700 pessoas em acidentes ferroviários, muitas delas por quedas de composições a abarrotar, ou sendo atingidas por outros comboios enquanto viajavam no exterior das carruagens.

Só na rede que serve a cidade de Mumbai morreram nos últimos cinco anos mais de 18 mil pessoas, de acordo com fontes policiais citadas pelo The Guardian.

Um relatório do governo indiano classificou este problema - já em 2012 - de "massacre". Mas o número de mortes, relativizou o governo de Nova Deli, é proporcional à dimensão da rede e do seu número de utilizadores.

Alguns destes muros que separam a via-férrea de zonas residenciais já tinham sido construídos no passado, mas enfrentaram a resistência de muitas populações (por dificultar a circulação de pessoas). Em muitas zonas os muros foram desmantelados por ladrões que lhes retiraram as pedras e o metal. Existia um destes muros perto do local onde ocorreu o acidente de Dusshera, o que não impediu que centenas de pessoas saltassem para a linha para ter uma melhor visibilidade do festival.

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