Um morto em incêndio no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo

Dois andares ficaram destruídos. Vítima mortal trabalhava no museu

Um incêndio no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, destruiu o teto do edifício, atingiu a torre do relógio e afetou os três andares. Os bombeiros confirmaram a morte de um funcionário, segundo a Folha de São Paulo. O alarme foi dado cerca das 16:30 locais (mais duas horas em Lisboa) e no local estiveram 102 bombeiros apoiados por 60 viaturas.

A Folha de São Paulo adianta que o funcionário - que era bombeiro voluntário - ainda foi transportado para o hospital, mas acabou por morrer. O homem terá sido o primeiro a dar o alarme para o incêndio. O museu estava fechado, estando no local apenas alguns funcionários e seguranças. O incêndio terá começado na sala de exposições, segundo explicou ao jornal brasileiro uma mulher que trabalha no museu, mas são desconhecidas as causas. Dois andares foram destruídos pelo fogo.

As imagens captadas pela Globo mostram como as chamas estavam a consumir o histórico edifício.

Apesar de chover em São Paulo, as chamas alastraram com rapidez, uma vez que a estrutura do edifício histórico que alberga o museu é parcialmente em madeira, tendo sido ainda registadas três explosões antes de parte do telhado ruir. Ainda assim, como a intensidade da chuva aumentou, acabou por ser uma ajuda para controlar o incêndio.

O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006 no edifício Estação da Luz, uma construção histórica datada de 1901 e que já foi atingida por outro incêndio, em 1946. Desde que abriu ao público já recebeu mais de três milhões de visitantes.

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, garantiu que o Museu da Língua Portuguesa será reconstruído e que o Estado irá procurar patrocinadores e doadores privados para financiar o projeto.

O secretário municipal da Cultura, Nabil Bonduki, considerou o incêndio "devastador para a cultura brasileira", acrescentando que tem esperança de "reconstruir o edifício e recolocar o museu em funcionamento".

Quanto ao acervo, o secretário estadual da Cultura, Marcelo Mattos Araújo, explicou, citado pelo Estadão, que "é digital, o que permite que ele seja refeito". O objetivo passa agora reconstruir para que o museu "seja aberto o mais rapidamente possível". "O prédio foi muito afetado. As instalações da Praça da Língua, do auditório, foi tudo destruído", referiu.

Entretanto, a Folha de São Paulo avança que o museu e o complexo da estação da Luz, que fica ao lado do edifício, não tinham aval dos bombeiros para funcionarem, segundo confirmou a corporação.

Augusto Santos Silva "consternado" com incêndio

O ministro dos Negócios Estrangeiros recebeu "com consternação" a notícia do incêndio que deflagrou hoje no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, exprimiu "solidariedade" com os envolvidos e lamentou a morte de um bombeiro.

"Foi com muita consternação que recebi a notícia do incêndio que atingiu o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, disse Augusto Santos Silva à agência Lusa, acrescentando: "Desejo em primeiro lugar exprimir a solidariedade para com os nossos amigos brasileiros e o governo do Estado de São Paulo".

O ministro realçou que este "é um museu pioneiro na promoção e defesa da língua portuguesa" e que "tem, além do mais, um programa museológico muito moderno, apelando para uma relação interativa com os públicos, e um programa de interação com as escolas muito interessante". Recordou ainda que "a Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto Camões foram membros fundadores do Museu", fazendo "votos para que a reconstrução seja o mais breve possível".

(Atualizada às 23:59)

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