Imigrantes na fronteira. Há oito crianças brasileiras separadas dos pais

Nem todos são latino-americanos. Pelo menos 50 pessoas de nacionalidade indiana foram detidas na fronteira dos EUA no último mês

Entre os 123 imigrantes que no último mês pediram asilo nos EUA e foram transferidos para a prisão de Yamhill County no estado de Oregon, a maioria são oriundas da Índia e há também chineses. Há ainda oito menores brasileiros separados dos pais, refere a Folha de São Paulo .

Os casos das crianças brasileiras são referentes a maio e junho, e entre eles está um adolescente de 16 anos, autista e epilético, que foi separado da avó. A mulher, que pedira asilo - inicialmente concedido - foi detida e o neto enviado para um abrigo a 3500 quilómetros, conta o jornal.

Os menores, com idades entre os 6 e os 17 anos - alguns deles são irmãos - estão a viver em abrigos na Califórnia e Arizona, e os pais estão detidos no Texas ou no Novo México. Ficaram semanas sem saber do paradeiro dos filhos. Foi o consulado do Brasil quem conseguiu que as famílias pelo menos soubessem onde estavam as crianças.

Felipe Costi Santarosa, cônsul-geral adjunto em Houston, diz que as crianças estão bem, não há relatos de maus tratos, mas que sofrem com a separação.

No entanto, as detenções no estado do Oregon demonstram que não são apenas de origem latina (Brasil incluído) os imigrantes que está a chegar aos EUA pela fronteira com o México. Neste caso, há indianos que maioritariamente falam hindi e punjabi, e que têm acesso mais restrito a intérpretes.

A maior parte identificou-se como sikh ou cristão que alega perseguição religiosa para pedir asilo nos EUA.

Advogados especialistas em matéria de imigração, que alegam ter sido impedidos de contactar os detidos por três vezes, disseram ao jornal The Oregonian que pelo menos seis dos 123 detidos são pais e maridos que desconhecem o paradeiro de filhos e mulheres.

O número total de crianças afastadas dos pais (ou adultos responsáveis por eles) ascende a 2 mil de acordo com a imprensa norte-americana.

No Oregon, como nos restantes estados norte-americanos, avolumam-se as críticas à administração Trump por causa da 'tolerância zero' em matéria de imigração, nomeadamente no que diz respeito à separação de famílias. Mais de 1200 pessoas encontraram-se para uma vigília contra esta política na segunda-feira à noite num parque próximo da prisão de Sheridan.

A entrada de indianos pela fronteira sul dos EUA não é inédita. Em 2011, o LA Times relatava que milhares de imigrantes tinham tentado este percurso nesse ano, parte uma rede de tráfico de pessoas que levou detonou investigações judiciais e detenções.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.